sábado, 29 de dezembro de 2012

Comer e comer

Hoje de manhã eu vi um programa, que não lembro o nome e nem o canal, nem sei ao certo do que se tratava exatamente, mas algo me chamou a atenção.

Pelo que vi eram duas pessoas que tinham disturbio alementar. Um cara que comia pouco e uma guria que comia de mais. Enfim, eles teriam que passar uma semana inteira pela dieta do outro. A guria que pesava mais de 120 quilos, teria que comer o que o cara geralmente comia. E o Guri que pesava uns 60 quilos teria que passar uma semana comendo o que a guria costumava comer.

Não vi o inicio do programa e nem o final, só assisti esse pedaço que me chamou a atenção. A guria disse que fez uma dieta há um tempo, e que chegou a pesar uns 90 e poucos quilos. E ficou 1 ano inteiro com esse peso. A apresentadora perguntou o que aconteceu e ela disse o seguinte: "um dia eu saí para jantar com uns amigos, e comi um pedaço de torta de sobremesa. E nunca mais parei de comer".


Ela disse que nunca mais parou de comer, e isso não deve ser expressão. Quem como compulsivamente sabe que isso de não parar de comer acontece mesmo.

Mas o que me chamou a atenção foi o seguinte: ela tinha um peso x, e conseguiu se manter com esse peso por 1 ano inteiro (o que é recomendado para quem emagrece). Só que depois desse tempo (1 ano inteiro) a impressão que a gente tem é de que o corpo já se acostumou com a vida saudável, e manter o peso vira algo fácil. Mas ao refletir sobre essa história a gente percebe que não é bem assim. E ao refletir sobre a minha vida, eu percebo que não é bem assim. Eu passei todo 2011 com 78 quilos e depois voltei a engordar e a lutar contra balança de um jeito que estamos virando para 2013 e eu ainda estou na casa dos 80.

É o que a minha nutri chama de "abrir a porteira", ela fala, "depois que você abre a porteira, ninguém fecha" (passa boi e passa a boiada). Eu como, como, como, como sem parar. 


Foi algo naquela torta de chocolate, é algo nas minhas guloseimas, é algo dentro de mim, que começa e não para mais. E continua, continua e continua.

E isso, essa coisa, precisa ser identificado, e destruído. Não tô falando que nunca mais vou comer guloseimas ou torta de chocolate. O que precisa ser destruído é essa coisa de abrir a porteira e quando vê a boiada toda passou. Isso é uma ação quase que de auto destruição. É como se eu não me amasse ou como se eu quisesse me punir por algo. Porque chega um ponto que nada mais pe gostoso, chega a um ponto que comer até dói, mas eu continuo, me entupindo, mesmo que isso não gere, de nenhuma forma, nenhum benefício. 

Por quê?

Por que isso acontece?

Foi o que me perguntei na hora em que vi o programa. É o que eu continuo me perguntando. Por quê?

Por favor, não venham me falar de amor próprio e coisa e tal, de se gostar e de se amar.....eu chego ser cria de Narciso. Se olhar a minha árvore genealógica, estará lá, em algum lugar Narciso. Não é algo tão simples assim. É algo mais profundo. É o meu outro lado. É a Adora. A Adora precisa entender que ela é bem vinda na minha vida, que ela não precisa chegar, ficar e se recusar a sair como se ela nunca mais fosse ser libertada do fundo da minha alma, como se ela tivesse condenada a ficar lá no calabouço do corpo sem ver a luz do dia. Não Adora, você terá liberdade provisória toda semana, no dia de luxo. Mas se não se comportar, aí fica difícil confiar em te deixar sair. 

Por que é que tem que ser tão complicado essa coisa de comer uma torta de chocolate?

2 comentários:

  1. Menina, achei esse seu post genial. Eu já tive transtornos alimentares e recentemente comecei uma RA, minha nutri até liberou um docinho depois das refeições mas eu prefiro não comer porque quando como a porteira abre, como vc bem disse. E não há quem me explique por quê...tb queria entender essa coisa de compulsão, de porque parece tão mais fácil não comer do que parar de comer. Esquisito, né?
    Estou te seguindo aqui! Beijos!

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    Respostas
    1. Agora estou lendo um livro chamado A Teia de Aranha Alimentar. Tem uns post no meu blog sobre ele. E tá me ajudando um monte, estou conseguindo focar. Porque o livro trata bem sobre isso, da compulsão, que a gente não sabe lidar com as frustrações do dia a dia, e desconta tudo na comida. Eu recomendo......

      bjsbjs

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