sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A Teia de Aranha Alimentar - Primeira Parte:Dependência Emocional

Bom, finalmente vou começar a falar do livro. Para dar às pessoas que não podem comprar uma ideia do que se trata. Mas sei bem que tem gente que não gosta deste tipo de post (mesmo porque são longos), por isso estou logo avisando. 
 
Antes de falar do livro, tenho que explicar um termo que o autor usa muito. Adicto: “é aquele que se deixa dominar pelo uso de alguma ou de várias drogas tóxicas. Adição é um estado de intoxicação crônica e periódica originária pelo consumo repentino de uma droga, natural ou sintética. Ou seja, o adicto é aquele que tem uma dependência”. 


Ou seja, é o viciado. Não sei vocês, mas eu não tenho dúvidas de que sou viciada em comida. E se você tiver alguma dúvida, faz assim: fica 1 mês sem comer doces (ou seja lá qual foi sua “comida tentação”). Se isso te fizer sofrer (sim, porque chocolate não é comida essencial), você também é um viciado. E se você sofrer só um pouquinho....é viciado também, mesmo que só um pouquinho. Agora se você ficou 1 mês sem comer chocolate (ou batata frita, ou seja lá o que for) e não sofreu....você é uma pessoa abençoada. Porque emagrecer pra você deve ser muito fácil, a comida não é um problema, aliás você já deve até estar no seu peso ideal. 

Mas se você se interessa por dietas, ou faz dieta, é porque tem algum problema com a comida. É o que eu sempre digo: temos que mudar a relação que temos com a comida. Porque comida é para dar energia ao corpo e ponto final. Não é para confortar a alma e nem aliviar o estresse. Desculpe generalizar. É claro que tem (poucas) exceções. Mas agora vou me ater à regra. Porque o livro A Teia de Aranha Alimentar trata do vício pela comida, dos comedores compulsivos.....e se este for o seu problema como é o meu, te indico a ler o livro. É libertador. 

É claro que vou falar dele aqui, mas nada melhor do que ler direto da fonte. Porque, pode apostar, meus textos estarão cheias de opiniões minhas. Desculpe, é que eu não resisto. E tem muitas coisas super importantes que estão no livro e eu não vou falar. Não tem como. Não dá para para falar de tudo, a não ser que eu realmente o reproduza aqui, e a ideia não é essa. Então, quem puder(e quem gostar), compre o livre e o leia.

Na primeira parte do livro, o autor trata dos dois tipos de dependência que a comida trás: a de dependência emocional e a dependência que eu chamei de física, por se tratar de reações gerados no corpo, mais especificamente no cérebro.  E o autor usa uma analogia no livro dele. A teia de aranha. 

Porque o vício é algo arquitetado para nos prender, assim como a teia de aranha é arquitetada para atrair e prender insetos. Como essa teia de aranha funciona no nosso vício, veremos aos poucos.  


Dependência Emocional 
 
Bem, nós compulsivos usamos a comida para nos esconde, e esse se ‘esconder com a comida’ torna-se necessário a medida em que estabelecemos comparações sociais e nossa autoestima sofre um ataque impiedoso e constante. "Torna-se real quando a angústia que sentimos diariamente precisa ser apaziguada por algum método que nos devolva a sensação de prazer.... Quem nunca teve a sensação de angústia indescritível, um vazio, uma insatisfação constante que leva quase automaticamente a procurar algum tipo de prazer que compense o estado?
  

É aí que reside o problema: essa busca pelo prazer, muitas vezes pré-fabricada, nos conduz veladamente para uma rede aditiva altamente pegajosa, nos leva a fazer parte dela e nos obriga a satisfazer seus pedidos desmedidos como súditos fiéis. Pensamos que estamos procurando prazer e alívio e só nos damos conta de quanto essa trama é artificial, quando as consequências indesejadas atinge nosso corpo e nossa alma. A rede vai lhe oferecer tanto a solução imediata para o seu mal-estar, quanto a sensação de vazio e angústia posterior que vai, inevitavelmente, levá-lo de volta à rede, em busca de uma nova dose de alívio. E assim, sucumbimos ao discreto encanto da teia de aranha.

Agora vem o choque. Porque você pensa, “concordo, as mídias e a sociedade teceram uma teia de aranha e eu caí nela.” Não. Quem teceu a teia de aranha foi você. Nós somos nossas próprias aranhas (precisamos parar de achar que não temos culpa. Sim, a culpa é nossa. “Foi você mesmo que teceu essa rede, assim como a aranha, para que sua presa, que é a comida, não escape. Primeiro teceu a trama básica, arranjou todas as situações para poder comer mais. Em seguida, começou a estender as redes transversais, com base em desculpas variadas, permissões tais como: ‘só um pedacinho de chocolate não vai fazer mal’, e assim foi somando pedacinhos após pedacinhos até comer a barra inteira. Por ultimo, traçou uma espiral partindo do centro pra a periferia banhando-as em ações compulsivas, irrefletidas e descontroladas e, então, observando o tamanho de sua própria obra, começou a esperar pelo próximo petisco.” Nós caímos na teia que nós mesmas armamos para nós. Nós construímos o nosso vício. Nós o usamos para fugir da realidade, para ter um prazer imediato, e agora somos escravas dele. Nós. 

Outro dia, vendo um programa sobre dieta, eles falavam de "barra de chocolate". Quando no meio do programa eu percebi que eles não falavam do que era uma barra de chocolate pra mim. Eles falavam de uma barrinha individual. Foi quando eu percebi que comer 1 barra de chocolate de 180 gramas inteirinha não é normal. Por mais que pra mim fosse. Não é normal. E fiquei chocada por saber disso. Porque comigo acontecia com tanta frequência, que para mim era, absolutamente normal. E fazemos isso por hábito, porque querer um prazer imediato que nos leve para longe da realidade cruel. “O lugar comum, o ponto de encontro entre as diversas adições parece ser a fuga de uma realidade ‘dolorosa’ e estressante e, em contrapartida, a busca pelo prazer imediato. O denominador comum é a busca de um estado diferente, de uma solução momentânea.”. E isso, depois que é dito parece fazer tanto sentido que pensamos em como não percebemos isso antes. Acho que percebemos, mas era mais fácil fugir da realidade do que confrontá-la.

Não sei se já viram um programa chamado “Compulsivos”. São pessoas que levam o nível de compulsão alimentar ao extremo, comendo praticamente apenas 1 tipo de comida. E neste programa eu já vi de tudo. Gente que só come batata frita, gente que só come pizza, gente que só comia picolé, gente que passava o dia comendo maisena em pó. Sim, são casos inacreditáveis, mas acontece. E em praticamente todos os casos, as pessoas fazem isso por fuga, porque estão fugindo de algo. Olha a que nível de negação uma pessoa (eu, e até mesmo você) pode chegar. Buscamos um prazer imediato para apaziguar nossa dor, e isso se torna um hábito. O corpo aprender que existe um caminho mais fácil para lidar com a dor da realidade: a comida. 


O que acontece é que a memória grava em seu cérebro uma experiência ligada a uma determinada atividade ou substância que foi prazerosa ou confortável. Em seguida, ao se deparar com uma situação altamente estressante, você vai procurar essa mesma atividade ou substância que lhe proporcionou satisfação. Nasce, então, a ideia (quase obsessiva) do alívio, da muleta ou do fio terra, que não resolve, mas acalma. E assim, se fecha o circulo vicioso, pois tais elementos se convertem paulatinamente em seus inimigos, causando a sua queda.”. Você cria o hábito e o corpo recorre a ele sempre que pode. Nascendo aí um círculo vicioso.


Vendo por este lado, para um comedor compulsivo conseguir emagrecer e se manter magro, é necessário quebra com este Círculo. E para isso precisamos fazer do jeito mais difícil, do jeito que temos evitado esse tempo todo: encarar a vida. Encarar os momentos ruins sem usar os artifícios gastronômicos paliativos.  Talvez, a chave, a primeira chave para chegar a si mesmo, seja fazer dos problemas circularem pelos trilhos que lhes cabem, sem descarrilá-los por uma compulsão e o excesso”. Aprender a lidar com a frustração. Aceitar que ela existe em alguns momentos e aprender a lidar com ela. É claro que isso é difícil, se não fosse, não estaríamos buscando conforto na comida por tanto tempo. Mas o contato e a aceitação da realidade é a chave para nosso emagrecimento. “Na realidade, as respostas só aparecem quando a pessoa é capaz de suportar um longo período de sofrimento diante do ‘não’ e aprende a conviver com a frustração. A tolerância a frustração é um dos pontos de partida para colocar um freio no processo aditivo. Em que consiste? Em assumir que nem sempre se pode estar bem, que se sentir bem não é uma obrigação.

É aceitar que a vida às vezes é difícil, mas que enfrentar as suas dificuldades faz parte do viver. “O adicto tem uma tendência a procurar sempre o prazer, a ficar bem. E, na vida, há muitos momentos que não são divertidos, e que, sem necessidade de serem trágicos, são simplesmente chatos, tediosos. No entanto, embora o tédio seja muitas vezes o estado mais propício para o desenvolvimento aditivo, também pode ser a plataforma de lançamento para o desenvolvimento da criatividade ou para dar um tom inesperado ao ócio. Nas palavras de Blaise Pascal: ‘A grande maioria dos problemas da humanidade provêm da incapacidade do homem de sentar-se tranquilamente, sozinho, em um aposento'.


E é claro que o autor tinha que colocar Freud na história. Tudo bem, eu adoro Freud. Mas para quem não gosta, saiba que o comentário é breve: “Em ‘O mal-estar na cultura’, Freud aborda aquilo que identifica como a origem da toxicomania e fala de um caminho: a busca da felicidade. Observa que essa busca não está completada na natureza do ser humano: ao contrário, as exigências da vida vão contra a tão desejada felicidade. Diante disso, o que faz o Homem para mitigar o sofrimento que a renúncia lhe impõe? Busca satisfações substitutas ou distrações poderosas capazes de fazê-lo esquecer sua miséria ou então, recorre aos narcóticos. Portanto, para Freud, o tóxico tem uma localização preciosa: é o mais poderoso instrumento para evitar o encontro com a verdade. No entanto, a independência absoluta é ilusória, já que quando a pessoa tenta se libertar, passa a depender de um produto. E continua escravo, imerso em um estado ainda mais angustiante e menos confortável que aquele que quis evitar.

Nós supervalorizamos tanto a felicidade, a imaginamos, a aperfeiçoamos em nossa mente, quase como um amor platônico. Que quando vemos a realidade a achamos triste de mais. Queremos aquela felicidade imaginada. Buscamos tanto a felicidade que nos esquecemos de ser feliz. E nos esquecemos de aceitar o que não é "felicidade suprema" na nossa vida.


E descontamos isso tudo na comida. Entretanto o problema não está na comida, mas nos comportamentos que o levam a transformá-la nesse objeto que o domina: enquanto a comida ganha corpo, você vai se transformando em objeto. De um costume se faz um hábito, de um hábito se faz uma dependência e, por último, de uma dependência se faz uma adição. Instaura-se um processo de compensação que consiste em empanturrar-se com o que é fácil de obter, que pode ser comida ou os mais variados objetos, em substituição às coisas que não pode ter, porque exigem um esforço maior ou porque você não quer vê-las e não estão na geladeira ou nas lojas, mas dentro de cada um de nós.

E isso tudo não é só com a comida, vale para droga, vale para o álcool, vale para o cigarro, vale para a mania te só trabalhar, para o vício em interne e celular e até para a mania de comprar (aliás, eu estou lendo esta livro também focada e tentando curar a minha mania de comprar tudo – no fundo no fundo, este livro serve para vícios de forma geral). As coisas são variadas mas o intuito e sempre o mesmo: alívio imediato. Por isso que acontece de trocarmos um vício pelo outro. Porque neste caso, não estamos curando a adição, estamos apenas trocando de droga. “Quando os paciente dizem que engordaram porque pararam de fumar não se dão conta de que, na realidade, apenas mudaram o nome da adição, e agora, em vez de se encher de fumo, se enchem de comida.”

O segredo para vencer a dependência emocional que a comida traz, é aceitar as frustrações. Não falo em aceitar nossa condição triste. É claro que temos que procurar nossa felicidade sempre, mas foi a procura extremista pela felicidade que nos trouxe até aqui. Temos que procurar sim a felicidade nas pequenas coisas, e a felicidade duradoura. Mas aceitar que na vida nem tudo sai do jeito que a gente quer, nem tudo dá certo. E quando isso acontecer, encarar de frente, aceitar e procurar soluções, em vez de se esconder na comida ou seja no que for. 



Acreditar no futuro, mas aceitar o seu presente. Eis o segredo para emagrecer. Quem diria..... 

A dependência física, vou deixar para outro post. Aguardem!

2 comentários:

  1. Aos poucos tô me desviciando... A última barra que comprei durou mais de uma semana pq eu comia 2 quadradinhos por dia e dava 2 pra Clau...
    Bjs

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    Respostas
    1. Olha, não sou a única chocólatra daqui de casa. o marido é também e assumido. Mas também estamos tentando diminuir. Só que não dá pra deixar uma barra dando sopa. Então geralmente compramos as menores. Porporcionalmente sai mais caro, mas é o que funciona.

      bjs

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