sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A teia de aranha alimentar

Outro dia uma amiga, a Eli, me disse que estava lendo um livro sobre compulsão alimentar (coisa que eu tenho). Chamava A Teia de Aranha Alimentar. 

Ontem eu estava numa livraria, e resolvi olhar o tal livro, para ver como era. Ali mesmo na livraria li a introdução do livro e o achei muito interessante. Mesmo porque quando estamos desmotivadas, ler um livro sobre dieta pode inspirar. Então comprei o livro. 


Acho mesmo que vale a pena comprar. Ele fala do hábito de comermos descontroladamente. Aquele gatilho que quando é ativado a gente se desliga, e quando vê já comeu quase tudo que estava na geladeira. E acho que este livro pode ajudar nisso. A nos fazer comer mais conscientes. E para quem está na dúvida, se vai gosta do estilo do livro, eis aqui a introdução (a mesma que li na livraria e que me convenceu a comprar o livro):


INTRODUÇÃO


Há muitos anos, pressenti que a voracidade ira tornar-se o grande mal de nossa era. Hoje, já posso afirmar que não estava enganado: as adições estão entre os principais protagonistas do século em que vivemos. Cada vez mais gente sucumbe diante das manobras de inúmeros dispositivos que garantem a obtenção do prazer – leia-se imediato -, independente das consequências que isso venha a ver em nossa ‘Vida’ – assim mesmo, com letra maiúscula -, para dar à palavra um sentido integral, que vai além do fato de existir. Tal como defendi à época, o desejo atualmente é gerado, dirigido, manipulado e até comercializado: joga-se com a superestimulação para anular qualquer incentivo individual e criar novos desejos artificiais. Por isso, se tudo já está dado, se os ideais são fantasmas do passado, se você se sente perdido diante de tanta certeza imposta de fora, é lógico que procure algum pilar em que se apoiar, tal como a comida, por exemplo.

A adição é, na essência, um comportamento enigmático, um fenômeno que ultrapassou barreiras múltiplas e se instalou entre os homens como sintoma de que algo anda mal... muito mal.

Então porque a imagem da teia de aranha para representar a adição? A teia de aranha é uma rede pegajosa, habilmente tecida, de fácil acesso, à qual se chega por engano, por descuido, por soberba ou “só para ver como é”; mas uma vez lá, os caminhos que pareciam servir para escapar de seus fios tênues, sutis, fortes e perfeitamente organizados, em vez de abrir portas de fuga, nos prendem cada vez mais, mergulhando-nos em um poço profundo, cíclico e aparentemente sem saída. Vista assim, a teia de aranha é a reprodução dos estímulos, das tentações e dos objetos do mundo que se emaranham em uma teia muito sedutora. E nós, seja por negação, distração, cegueira, ignorância, angustia, compulsão ou simplesmente por acaso, ficamos presos nela, emaranhados entre seus fios imperceptíveis. A rede da teia de aranha é a trama aditiva, e cada fio que a sustenta reproduz comportamentos recorrentes. A pessoa que cai nessa rede, embora se veja indefesa e debilitada, deve escolher entre dois caminhos: cortar a rede e se libertar ou ser devorada pela aranha que, escondida, só espera o momento oportuno para atacar.

Traçarei a estrutura de A Teia de Aranha Alimentar com base na figura da teia de aranha. Para começar, discutiremos ‘O discreto encanto da teia de aranha’ que, como uma rede aditiva, nos arrasta quase sem que percebamos para um lugar de dependência, no qual ficamos presos e do qual é muito difícil escapar, embora não seja impossível. Ou seja: não nos damos conta da prisão ao entrar, mas somente quando não podemos mais sair.

Nessa primeira parte, analisaremos as diversas classes de adição, desde aquelas vinculadas ao comportamento até às que se relacionam com a ingestão, para, em seguida, penetrarmos nos terreno da obesidade em si, tomada como a expressão palpável da adição à comida.

Na segunda parte, veremos como a aranha faz sua aproximação depois de estender a rede. Apresentarei, então, com base em dados atuais provenientes da pesquisa, os diversos mecanismos tanto psicológicos, quanto comportamentais, que intervém na conformação da obesidade. Falaremos, portanto, de temas tão variados quanto a genética, a dinâmica hormonal e cerebral e os efeitos aditivos de certos alimentos processados, que geram ao mesmo tempo uma dependência imediata e uma predisposição a comer demais no futuro. Faremos também uma abordagem aprofundada das distintas metodologias aplicadas ao tratamento da obesidade, tais como: fármacos e cirurgias e, por fim, vamos nos deter em certas tramas vinculadas aos comportamentos dependentes que fazem as pessoas comerem demais.

As diversas artimanhas que teremos de usar para nos defender da aranha serão o tema da terceira parte. E aqui, a ação será interdisciplinar, ou seja, o problema será atacado em várias frentes: o método do corte, Medida e Distância, a dieta alimentar, os enfoques terapêuticos e a atividade física adaptada.

A essa altura, teremos nos libertado dessa rede daninha e paralisante e estaremos em condições de tecer outro tipo de rede, uma rede própria, genuína, que nos contenha e nos estabilize, e que, ao mesmo tempo, funcione como um alerta permanente.

Por último, para quem deseja aprofundar certos aspectos associados à obesidade e aos vínculos aditivos, abordo, na quinta parte, o tema dos transtornos da alimentação, tais como a bulimia e a anorexia.

Entretanto, antes que você, caro leitor, mergulhe nas redes de A Teia de Aranha Alimentar, eu, o autor, em primeira pessoa, quero esclarecer que o sistema que nelas se esboça surge fundamentalmente da observação do paciente e das diversas estratégicas que implementamos (com base no nosso trabalho diário) para ajudá-lo a se recuperar, ou melhor, a encontrar o caminho da magreza. Por esse motivo, prefiro reproduzir nesta obra o estilo da confrontação, da contenção, da informação e do acompanhamento que aplicamos no dia a dia e que gera uma dinâmica de intercâmbio muito singular e positiva. Portanto, o tratamento direto que darei ao leitor tem como objetivo transmitir o mecanismo subjacente a essa dinâmica. Eu, Máximo Ravenna, contarei a você, leitor individual e ao mesmo tempo coletivo, os resultados de uma filosofia e de um método que podem ajudá-lo – assim como me ajudam – a compreender melhor sua relação consigo mesmo e com o ambiente que o cerca e, somente após essa compreensão, que envolve esforço, constância e convicção, poderemos, você e eu, melhorar nossa qualidade de vida aos nos vincularmos, de forma saudável, ao nosso mundo interior e ao exterior.

Os temas tratados em A Teia de Aranha Alimentar provém, em grande parte, da riqueza própria e assombrosa do trabalho em grupo. Definitivamente, nossa ideia é captar a pluralidade com base na singularidade.

Assim, incorporamos às páginas deste livro nossa ideia da direção, que deve orientar o papel dos profissionais da saúde. Por quê? Porque consideramos que hoje em dia os especialistas não sabem que, além de conhecer os melhores métodos e possuir uma perfeita cultura intelectual, eles também necessitam dessa eloquência que sabe se adaptar a cada indivíduo e permite reforçar a vontade dos pacientes, fortalecer o ânimo e dissipar a timidez. Nas palavras de Nietzsche, eles devem recorrer a “uma certa flexibilidade diplomática nas relações com os que precisam de alegria para se curar e com os que devem (e  podem) encontrar um gozo nas causas da saúde; toda a engenhosidade de um agente de polícia e de um procurador para averiguar os segredos de uma alma sem revelá-los. Em suma: hoje, o médico perfeito deve usar todos os procedimentos e todas as artes das outras profissões”, não cair no simplismo.

Essa é a minha intenção, meu espírito, meu desafio. Espero que estas páginas possam demonstrá-lo.


Eu e a Eli vamos ler o livro juntas, e discuti-lo. E quem também quiser fazer parte, bem vida a discussão!

6 comentários:

  1. Não conhecia esse livro. Parece ser bom...

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  2. Boa sugestão. Eu li "Dieta das Emoções" e me ajudou bastante.
    Vou procurar esse tbm!
    Beijo

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    Respostas
    1. Que boa dica Pricila. Vou procurar por este ai também....obrigada mesmo pela dica.
      Eu estou adorando o que estou lendo. Está me ajudando muito.
      bjs

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  3. Parece bom, hein??? Pena q estou bem falida agora e não tô podendo comprá-lo... Vai contando aqui!
    Beijão

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    Respostas
    1. Vivi, pode deixar que vou contando aqui. Mas olha que ideia boa a Eli deu. A versão digital do livro custa 25 reais e dá pra baixar em 6 computadores diferentes. Ou seja, vc junta 6 amigas e o livro sai por menos de 6 reais para cada uma.....é uma ótima ideia.

      Mas pode deixar que vou contando ele por aqui. bjs

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