terça-feira, 22 de outubro de 2013

A Teia de Aranha Alimentar - Segunda Parte: Por que engordamos tanto

Para quem está chegando agora, as outras partes do livro: 

 
A primeira parte do livro eu dividi em duas partes. E agora, com a segunda parte, eu vou fazer o mesmo. Senão o post fica muito grande e cansativo.  Vamos lá então para a continuação:


O autor começa a parte 2 do livro contanto uma história, com uma personagem que ele chama de Silvia. Mas acho que ele se enganou. O nome dela é Fernanda. Porque a história, definitivamente, é sobre mim. Gostei tanto da história que vou coloca-la aqui:
 
Segunda-feira, sete e meia da manhã. Silvia se levanta e começa sua rotina diária. Vai para o banheiro tomar banho, mas antes, como todo dia, sobe na balança...
 
 
Não pode ser! Dois quilos a mais?! Se pesava 90 quilos na sexta-feira, como é que a balança tá marcando 92 agora? Irritada, começa o banho e pensa como é que pode ter engordado tanto. É verdade que não fez a dieta ao pé da letra, que na sexta à noite foi à casa de Marta e não conseguiu resistir aos canelones caseiros que a amiga ofereceu. É que....estavam tão deliciosos...!No entanto, três canelonezinhos não podem engordar 2 quilos! Talvez tenha sido o vinho, pois, embora só tenha tomado dois copos, dizem que o vinho fixa as gorduras. Ou a sobremesa.. mas era torta de maçã, e maçã não engorda....
 
Continua a recordar.... o que comeu no sábado? Ah, é verdade que teve um churrasco no almoço, na casa da filha...Mas, acontece que se cuidou, só comeu carne com salada....e um sanduiche de linguiça. Senão, que sentido tem um churrasco? E também era um sanduichinho, não pode ter engordado tanto. Além do mais nada até à noite. Foi ao cinema com Mario, seu marido, e apesar de ver todo mundo comendo pipoca sem parar, não comprou. Depois do cinema, foram comer uma pizza, mas ela se cuidou: só comeu duas porções e antes da dieta sempre comia quatro ou cinco. Na verdade, não entende o que aconteceu. E no domingo....De manhã fez ginástica, depois se cuidou, comeu frango com tomates e só transgrediu um pouquinho no lanche, comeu uns biscoitinhos. O jantar foi leve, mas talvez tenha comido muito pão....

Sai do chuveiro e se olha no espelho. Tenta encontrar alguma forma harmônica em seu corpo, mas não consegue, a imagem lhe devolve um par de seios gigantes, um ventre protuberante, pernas que há muito deixaram de ser excitantes. Antes, costumava se gabar de ter lindas pernas, agora nem isso. Contempla seu rosto e reconhece um lampejo de beleza em seus olhos, olhos que eram tão expressivos e que agora se perdem como duas luzinhas no fundo de sua cara inchada. O que houve? Como chegou a esse estado?

Parece que estão falando de mim – fora a parte dos seios gigantes. Mas no resto... ele está falando de mim. Sabe que o engraçado é que quando lemos a história de fora percebemos todos os erros da personagem. Mas quando acontece com a gente, insistimos no “não sei porque engordei tanto”. Quando chega o fim de semana, a gente costuma exagerar mesmo. Por quê? Por quê? Por que nos conformamos com “foram só dois pedaços, antes da dieta seria a pizza inteira”? Como era antes da deita não importa. Se importasse não estaríamos gorda agora. O que realmente importa é o quanto podemos comer para que não se saia descontroladamente da dieta. O quanto podemos comer para ter um copo magro. É nisso que devemos nos basear. Temos que parar de comer descontroladamente e nos perguntar: por quê? Por que nos descontrolamos tanto com a comida?


É preciso perguntar por que a vontade de Silvia sucumbe em determinadas situações e diante de certos alimentos. O componente psicológico é, sem dúvida, crucial no processo de engorda, pois a pessoa chega a um ponto que já incorporou todos mecanismos compulsivos, evasivos, transgressores e, ao mesmo tempo, de culpa e autoenganadores, que já não sabe mais para que lado atirar. Está tão grudada à comida e a esse mecanismo que não pode mais escolher. Porque para escolher a forma com quer viver (magra, linda, ágil, saudável) precisa, em primeiro lugar, desestruturar o estado em que está e treinar uma nova escolha. E não se trata de uma tarefa fácil quando a mente da pessoa está obscurecida pela presença da substância aditiva. Dissemos que o corpo de Silvia fala a verdade. E qual é essa verdade? Muito simples: Silvia mede 1,65 m e pesa 92 quilos. Calculando o Índice de Massa Corporal (IMC), veremos que é de 33,8, cifra que confirma a obesidade. Obesidade é: ‘O excesso de gordura corpora que afeta a saúde psicofísica do indivíduo’.

IMC. Índice de Massa Corpórea. Se você ainda não sabe como se calcula, eis a fórmula:



 Vamos lá calcular o meu (já calculei umas mil vezes, mas vamos lá de novo):

Fernanda mede 1,78 e pesa 88 quilos. Calculando meu IMC achamos 27.77, ou seja, sobrepeso. Preciso estar abaixo dos 79 para estar classificada como “peso normal”. Mas isso, de estar acima do peso não é algo só da Fernanda e da Silvia. Hoje muitas pessoas estão acima do peso. Muitas pessoas estão, inclusive, classificadas como obesas. Isso virou um surto mundial. Por quê? (Eu sei, não muitos porquês).

Pois bem, se Silvia tivesse vivido dez mil anos atrás, teria sido uma esbelta caçadora que colhia os frutos da terra, como quase todos os seres humanos daquela época.


 Na realidade, os gordos começaram a existir quando surgiram a agricultura e a pecuária e paramos a correr atrás da comida. A quantidade de gente com excesso de peso foi aumentando paulatinamente até chegar às cifras alarmantes da atualidade, que revelam que nunca houve tantos gordos no planeta.  Mas por quê? Por que hoje, mais que nunca, temos um modo de vida para o qual o nosso organismo não foi desenhado nem está preparado, ou seja: não fomos projetados para a vida de opulência, para encher os carrinhos nos supermercados ou, mais ainda, fazer os pedidos pelo telefone. Fomos criados, isso sim, para andar em busca de alimento e correr atrás da comida, como faziam os homens primitivos.


É que o Homem, na realidade, foi moldado por milhões de anos de fome e escassez de comida. Essa escassez teve um forte impacto no nosso gene, já que só sobreviviam os indivíduos que tinham maior proveito energético da pouca comida que ingeriam. Surge daí a teoria do gene poupador, que me parece central para entender certos aspectos da epidemia atual de obesidade. O conceito é o seguinte: diante da carência de alimentos, as pessoas a quem a genética permitia armazenar melhor – em forma de gordura – a energia ingerida, eram as mais resistentes, as que sobreviviam. Portanto, se esse desenho genético foi muito útil em determinados momentos, na opulência atual ele torna-se inconveniente.

O dr. Enrique Capillo, especialista espanhol em nutrição, sustenta que a obesidade é uma doença da opulência, como o diabetes II, a hipertensão e a arteriosclerose. Concordo plenamente com ele, pois considero que todas essas doenças são sintomas de uma desarmonia entre nosso desenho evolutivo e a vida opulenta

E não é só porque a comida ficou mais fácil, mas também gastamos menos energia ao procura-la. Antes não tinha as facilidades tecnológicas que temos hoje, e qualquer coisa que se fosse fazer gastava um pouco mais de energia. Cozinhar gasta mais energia que descongelar pratos pré-prontos no micro-ondas. Andar por meio da floresta procurando alimentos gasta mais calorias que ir de carro ao supermercado. Hoje temos mais facilidade para consumir e nenhum motivo para gastar. Vamos de carro para o trabalho, a máquina de lavar é que deixa nossas roupas lindas, passamos o tempo livre assistindo TV e para compensar, pagamos academia para correr 1 hora em cima de uma esteira. A vida que levamos atualmente parece não fazer muito sentido. Precisamos não apenas comer menos, mas também gastar mais energia. Deixar a preguiça de lado e fazer as coisas da maneira mais difícil (e possivelmente da mais divertida) para que o corpo se movimente, e que a gente gaste a energia que o corpo teima em estocar.

Agora vamos o que acontece quando um obeso come, em termos de neurotransmissores:

A leptina controla o peso corporal, pois atua sobre o hipotálamo, passando informações ao cérebro sobre o estado dos estoques energéticos. Basicamente ele informa se estamos bem ou se estamos ficando sem víveres."


O que controla todo nosso organismo com uma combinação de vontade de comer e permissão para que a gordura estocada seja liberada e queimada é uma combinação entre a Leptina e a Grelina. A leptina é gerada pelo tecido adiposo. Pelo estoque já existente. E a grelina é gerada no sistema gastrointestial. As suas atuam no cérebro. É o corpo se comunicando para ver como deve reagir com a comida fornecida ao corpo. Como é interessante o corpo humano, não?

"O que ocorre nos casos das pessoas obesas que ingerem alimentos em excesso durante um período prolongado? Os hormônios se alteram da seguinte forma:

- A secreção de leptina aumenta nos obesos e chega a atingir valores quatro vezes maiores que nas pessoas não obesas, o que reflete um estado de resistência a leptina. Isso se dá por causa do mecanismo de ação do receptor, que, quando estimulado permanentemente funciona como uma maçaneta girada ao máximo: acaba travando e não adianta insistir em abri-la. Para isso será necessário soltá-la e destravá-la. 


- A resistência à ação da insulina no músculo é a principal causa do aumento dos níveis plasmáticos de insulina (hiperinsulina) e esta, por sua vez, é o mais importante determinante da obesidade, particularmente de tronco (indivíduos barrigudos), da redução do HDL (bom), do aumento do triglicerídeos, com o consequente desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo II.

- Se os níveis de grelina são excessivamente elevados, a pessoa precisa comer mais que o normal.

- As pessoas obesas produzem menor quantidade de peptídeo YY3-36, que é ligado à sensação de saciedade. Nesses casos, a função do peptídeo se altera, pois ele não consegue informar ao hipotálamo os efeitos da última ingestão.

Ou seja, os obesos sentem mais fome e para eles é mais difícil liberar o estoque de gordura que as pessoas normais. São obesos com tendência a engordar. Já ouvimos muito isso. Mas são assim não por sua carga genética, mas porque acostumaram o seu organismo a ser assim. Mas este quadro pode ser mudado. Reprogramando seu organismo. Então pelo viso, se comermos menos, estaremos programando o nosso corpo a se satisfazer com menos, e se satisfazendo com menos ele libera o estoque de gordura para ser queimado com mais facilidade. O grande macete da dieta de comer menos não é apenas para a matemática do emagrecimento. Mas também para reprogramar o corpo obeso. Fazer ele funcionar em níveis normais.

É urgente encontra novas formas capazes de fazer com que o comer provoque menos interesse. Uma das maneiras é: quanto menos como, menos necessito, menos fome tenho, menos me atrai a comida.

E fora essa parte dos neurotransmissores influenciando a comermos mais, ainda tem a parte psicológica já abordado no capitulo anterior. Só que essa parte psicológica de sentir prazer ao comer também é por conta dos neurotransmissores. 

"A regulação da fome e da saciedade convive com o processo de gratificação já mencionado. Quando o nosso homem ingere seu hambúrguer, entra em ação os neurotransmissores que estimulam o centro do prazer. 

Um dos mensageiros químicos envolvidos na alimentação é a dopamina, neurotransmissor que produz sensações de satisfação e prazer. Pesquisas recentes revelam que as pessoas obesas possuem menos receptores de dopamina no cérebro. É possível que elas comam mais para compensar essa deficiência, procurando introduzir concentrações cronicamente altas de dopamina que derivam do hábito de comer mais.

A relação do obeso com a comida vai além da necessidade vital. Ele come também para manter todo este circuito de dependência funcionando, gerando neurotransmissores a níveis que está acostumado. É mesmo um laço de dependência. 

Temos que quebrar este clico para emagrecer, e emagrecer para quebrar este ciclo. Uma coisa leva a outra. Enfim, precisamos reprogramar o nosso corpo e a nossa mente.  Ser saudável de corpo e de mente. Ser donos conscientes de nosso corpo e nossa mente. E este processo requer muita dedicação. Mas no final, vai valer muito a pena. 

Em breve, a continuação da segunda parte!

8 comentários:

  1. Esse livro parece ser muito, muito legal! Só fiquei meio confusa sobre a parte do obeso ter que comer menos pra emagrecer, já que ele tinha até dito da insulina... Mas adorei tudo!

    Beijos!

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    Respostas
    1. Mi
      Até no livro essa coisa de "quanto menos como, menos necessito, menos fome tenho, menos me atrai a comida", ele não pormenorizou. Mas acho que foi de propósito. Ele deve falar nisso mais explicitamente quando ele propor a solução (bom, acho que ele vai propor uma né? vai dizer, na visão dele, como a dieta deve ser feita).

      Mas, por enquanto, eu entendo assim: o nível alto de comida bagunçaram o organismo, e não só a Leptina e a Grelina, mas a própria Dopamina. O excesso de comida fez com que tudo se alterasse. Quanto mais eu como, mais isso fica alterado e mais quero comer. Então temos que seguir o caminho inverso: comer menos. Comendo menos, os níveis se normalizam e menos eu quero comer.....

      Entende? Pode ser sincera.

      Mas, como eu disse, acho que autor vai explicar melhor isso depois. Mas não nesta segunda parte (que já li toda e falta só terminar os posts), mas nas outras partes, mais lá pra frente.

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    2. Ah, sim, entendi! Só acrescentaria uma coisa: vai lá naquele blog que eu te indiquei que lá ele insere a insulina nessa porcaria de apetite do cão varado que bate em nós de vez em quando. É a danada da insulina baixando e subindo (e todo o resto que esse livro genial e esclarecedor que você está postando aqui!) que faz a gente ficar morrendo de vontade de comer, comer, comer...

      Nunca tinha entendido isso até testar em mim mesma. Dá pra viver sem ficar com fome. Dá até pra ficar muitas horas sem comer e não perder massa magra. Dá mesmo, sério...

      (resto da resposta no próximo post, o dos chocolates e a luta noturna contra ele! Beijos!)

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    3. Para quem quer ver o linque que a gente tanto fala, clique aqui:
      http://emagrecerdevez.com/e-certo-comer-de-3-em-3-horas

      Eu já li o texto, li esses dias. mas ainda não compreendi ele completamente. Quero ser se depois leio ele com calma.

      E eu acredito que não comer de 3 em 3 horas é mesmo uma opção. Nos meu dias de lixo eu nem aguento comer assim, porque me sinto mais satisfeita do que de costume...mas enfim, ainda vou falar deste linque....

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    4. Amiga, leia esse blog (eu queria falar dele, mas meu pc do trampo estava ameaçando literalmente explodir quando postei o comentário! kkkk). Esse blog: http://www.lowcarb-paleo.blogspot.com.br/. Independente de sua dieta ser lowcarb ou não, a questão da insulina é super bem explicada nesse blog, e foi o que me fez "despencar" a ficha e testar... e ver que funciona!

      Beijos!

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    5. Mi, este blog também está na minha lista de leitura, Aliás tu me indicou lê-lo do início ao fim, e eu farei........mas o tempo não está ajudando. Eu estou mesmo tri a fim de fazer uma pesquisa sobre a insulina e todo o processo....acho que quanto mais informações, melhor.

      Eu estou lendo e estudando tanto esses assuntos de nutrição que capaz de eu ganhar um diploma por mérito....kkkkkkkkkkkkk

      Prometo lê-lo.

      bjsbjs

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  2. Obrigada (DENOVO) por compartilhar She! Muito esclarecedor! Axo que vou comprar o livro pra ler na integra! Mas enquanto isso eu aguardo a próxima parte com seus comentários (que adoro!)

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    Respostas
    1. É, falar verdade, tem muita coisa no livro que passa batido. Não dá pra comentar tudo......o bom mesmo é comprar e ler. Está me ajudando muito.

      bjs

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