terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um pouco fora dos padrões

Hoje vou falar de uma coisa que ainda não está bem definida na minha cabeça, não cheguei a conclusões permanentes, mas tenho pensado muito nisso.

Não sei se esses meus pensamentos vieram da maturidade, dos acontecimentos da vida, dos programas sobre o assunto que eu assinto, ou de tudo isso junto. Acho que de tudo junto. Mas eu começo a achar que a gente passa tanto tempo buscando a perfeição e não se dá conta que são os nossos defeitos que nos fazem ser o que somos.

Tá, vou falar por mim, apesar de ter certeza que todas as mulheres do mundo fazem isso: eu busco tanto a perfeição que me esqueço que são meus defeitos que fazem eu ser EU. 

Mas a culpa não é nossa. Não é que a gente acorda um dia e decide ser perfeita. A gente acorda todos os dias e a nossa única pretensão é ser feliz. Mas aí a gente vê TV ou vai ler uma revista e só tem mulheres super magras com roupas incríveis sendo feliz. 


Atualmente, olhando esse monte de revista, percebo que essas mulheres são praticamente todas iguais.  Altas, magras, lindas, cabelos lisos levemente ondulados......é o tal do padrão de beleza. Mas agora tenho uma teoria. Não é que a mídia nos convenceu a querer ser magras. Nós continuamos querendo a felicidade. O que a mídia nos convenceu é que para ser feliz temos que ser magra. E não tô falando de magra. Tô falando em ser magricela. 

Aquelas mulheres em propagandas com vestidos maravilhosos em Paris, elas estão tão felizes. Queremos aquela felicidade. E de tanto ver essas imagens o nosso subconsciente chega a conclusão de que para termos essa felicidade precisamos pesar 50 quilos. Sim, porque você já viu a foto de uma mulher gordinha sendo feliz em Paris. Nunca. Nunca. 

Eu ando percebendo isso. Que é assim que a mídia nos convence a querer ser magra. Não pela magreza em si. E sim pela felicidade. A nossa busca, mesmo inconsciente, ainda é a felicidade.

E não é só isso que eu percebi. Percebi que todas as mulheres são iguais. Como se fosse feitas num processo de produção em massa. Que nem bolsa ou sapato. 


E nós mortais, do lado de cá, passamos a vida tentado ser igual a elas.

Pensa na Barbie.....claro tem a Barbie loira, morena, até ruiva, tem com estilo clássico e com estilo roqueira. Mas o corpo de boneca vem sempre da mesma fôrma. Eles usam a mesma fôrma para fazer todas as bonecas. 


E nós estamos tentando fazer o mesmo com os nossos corpos. Igualar todos eles, igual a modelo da revista, para no final das contas parecer que viemos todas da mesma fôrma.

Mas no meio desse processo, nos perdemos. Porque são os meu "defeitos" (que na verdade nem defeitos são, apenas estão fora dos padrões citados ali em cima) que me faz ser eu. Se eu fosse magra, alta, loira eu não seria eu. Seria a Gisele.

As mulheres são diferentes. Umas são altas, outras baixas, umas magras, outras gordas.....e essa é a graça da vida. Ser diferente. 


Mas a gente não quer essa diferença. A gente coloca lente de contato, aplique no cabelo, silicone no peito, tiramos uma costela, fazemos lipo na barriga. Só pra ser igual. Igual. Isso faz algum sentido? Para mim, começa a não fazer.

Eu sempre quis colocar silicone. Sempre. Meus seios são pequenos, minhas costas muito largas, eu muito alta. Silicone era meu sonho dourado. 


Só que num mundo de siliconadas, que tem peito pequeno talvez seja rainha. Talvez o peito pequeno seja o meu diferencial. Talvez eu mude de ideia e queira o silicone futuramente. Mas hoje em dia tem tanta gente colocando silicone que eu me dei conta que não quero me parecer com elas. Talvez eu queira me deliciar com as diferenças em vez de passar a vida toda tentando ser igual.

A gente passa a vida buscando um copo perfeito e passamos a vida frustrada por não conseguir. Por mais que a gente tente, existe biotipos diferentes. Não nascemos para ser iguais. Nem irmãs conseguem ser iguais. Talvez eu nunca me pareça com a Britney Spears, mas talvez isso seja bom. 


Tô pra dizer que tô mais para P!nk.


Apesar de ser alta, eu tenho peito pequeno, eu sou um tanto quadrada, mas ela não deixa de ser linda e sexy por conta disso. A P!nk hoje pra mim representa um pouco a contra-mão dos padrões. Ela não tem centura fina e cabelão na cintura, não tem aquele ar de modelo feliz em Paris. Mas talvez isso que seja felicidade.

Eu não tô me conformando em ser gorda, acho que não vou me conformar nunca com isso. Mas eu to me conformando em ser eu. Mas que isso, estou adorando ser eu. Estou adorando ter peito pequeno, cabelo curto, ombro largo....era tudo coisas que eu queria mudar em mim. Mas hoje, em busca da minha personalidade, do meu diferencial, percebi que são meus defeitos que são na verdade a minha beleza. 

Eu quero ser magra, quero ser linda, quero ser feliz em Paris, quero roupas lindas. Ainda quero. Quero muito. Mas quero os meus "defeitos" apimentando isso tudo. Não quero ser uma boneca de plástico. Quero ser uma mulher de carne e osso. 

Ser vesga, ter nariz grande, uma mancha, uma cicatriz, um cabelo rebelde....isso é o que dá personalidade ao seu corpo. É claro que vamos continuar indo pra academia, correndo, fazendo dieta, buscando um corpo sem gordura localizada e uma mente mais saudável. Mas é o que não pode ser mudado por dieta e academia que te faz mais bonita que as outras mulheres. E fazer uma plástica ou qualquer outra coisa para mudar isso é abrir mão de uma beleza só sua por um padrão normal. E quem quer ser normal podendo ser maravilhosa?

6 comentários:

  1. Eu sempre pensei assim. Sempre fui uma gordinha feliz e conformada com meu peso. Minha decisão de mudar foi apenas por uma questão de saúde mesmo. Um histórico familiar imenso de diabetes e problemas na tireóide, sem falar que preciso ter saúde pra cuidar da minha filha especial e ter outro filho no futuro. Apenas isso. Agora, depois que comecei a perder peso fiquei um tantinho empolgada não só com a ideia de ser magra, mas também de ter o corpo definido. Não garanto levar a segunda parte à frente, mas emagrecer, garanto que vou...
    Abraços

    http://projetoviolao.blogspot.com.br/

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    1. Eu nunca pensei assim.....kkkkkk

      Mas pelos comentários aqui, acho que só eu. Já to me achando "a louca". Eu sempre fui gordinha, e nunca fui conformada com isso. Eu sou muito alta, tenho ombros largos, e sempre quis ser magra, inclusive, para ser mais feminina. Fora que eu era a mais alta da sala e as crianças são cruéis. Sempre foram. Essa moda agora de bullying sempre existiu. E sabe que outro dia vi um programa sobre um garotinho que tinha problemas físicos e tudo o que ele passava. Eu percebi que as crianças são mesmo assim, nascem assim. Mas se elas permanecem assim a culpa é dos pais. São eles que precisam mostrar que as diferenças existem, nem todo mundo é igual, e que isso deve ser respeitado....mas enfim, isso já é outro assunto.

      A questão é que eu nunca pensei assim. Eu não tenho o que chamam de beleza natural e por isso sempre fui atrás da artificial. E só agora eu percebo que são justamente o que está fora dos padrões o que nos torna tão bonita.

      Ainda quero ser magra? Sim. Só pela beleza? Ah,,,, sim. Também pela saúde e coisa e tal, mas também e muito pela beleza. Mas hoje eu já percebo que eu não preciso ser perfeita para ser linda.

      Obrigada pelo comentário. bjsbjs

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  2. mesmo que o dois corpos tenham o mesmo biotipo, ainda assim são diferentes... somos unicos, cada um com suas particularidades, e como gosto de dizer: viva a diversidade! Não somos feitos em linha de produção para sermos (quase) perfeitos... Somo perfeitos do jeito que somos e era isso! bjuuus!

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    1. Sammy é um discurso lindo na teoria. Mas na prática, para quem é o diferente da história, a sociedade não é nada gentil. Infelizmente. Mas o que percebo agora é que a sociedade está errada. Não é porque todo mundo diz a mesma coisa, que todo mundo está certo, aliás, se é algo que todo mundo repete, tem uma grande chance de estar errado. Porque o que é mais bonito numa pessoa, é a força, a personalidade, é uma beleza que vem de dentro. E isso se consegue com tudo o que faz você ser único. Faz ser você.

      A sociedade está errada. Ninguém precisa de silicone, cirurgia no nariz ou lipo para ficar bonita. As pessoas são bonitas no que as tornam únicas: nos seus defeitos.

      Adorei sua visita super Lightchê!!!!

      bjsbjs

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  3. Aaaaaaaaaaamei de paixão! É disso que eu falo do meu jeito torto, mas como eu já tinha comentado aqui (meu 1º comentário, aliás) é que você tem o dom da palavra!

    Pois bem, vou falar por mim. Na última vez em que fui a uma boate (no mês passado, se não me engano, e não ia há tempos!) o que eu vi foi: praticamente TODAS as mulheres estavam de vestidinho coladíssimo ao corpo e bem curto (e bem decotado e bem estampado, mais ou menos isso), cabelos lisíssimos (a maioria loiro ou cheio daquelas mechas que nem sei direito o que são), saltos altíssimos e muita maquiagem. Padrão. Só vi umas 2 de calça e 1 de shorts. Eu mesma estava de calça (e saltão, e blusinha Rolling Stones e cabelo semi ondulado e castanhos - e virgens).

    Acho importantíssimo sermos vaidosas. Mas daí a buscarmos virar padrão eu acho loucura! Loucura mesmo! Eu não quero ter um código de barras nas costas! Porque é isso que estamos virando: seres padronizados, "criados" em série, buscando ficar iguais uns aos outros... Mas só por fora. Por dentro ninguém quer ter o trabalho de se colocar de verdade no lugar do outro pra tentar ao menos compreender quem é diferente de nós.

    Quero ficar magra. Mais do que isso, quero ficar sarada, gostosa, tudo de bom! Mais ainda: quero ficar com cara e corpo de pessoa saudável, não cabide de ossos ambulante (e também não musculosa, mas saudável, com corpo de quem frequenta academia e cuida da alimentação). Não acho que estou tão perto assim do que eu quero, mas enquanto isso vou amando cada pedacinho de corpo que me pertence. É meu por direito e é único!

    Aliás, que mulher estilosa e gata essa Pink, né?

    Somos perfeitos exatamente por causa das nossas imperfeições! E viva a diferença! Porque eu não quero ser "mais uma" de jeito nenhum!

    Beijos!!!

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    1. Pra começo de conversa: eu amo a Pink. Amo. E por incrível que pareça, o meu marido a acha super lida e super sexy. E ela é. Ela é. Justamente por não ter a cara da Britney Spears.

      Por que é justamente disso que tô falando. Todas as mulheres tem cabelo longo, liso, vestidinho panicat, saltão. Tudo bem, elas são lindas, mas elas são lindas porque no meio de um monte de esquelética da passarela, elas vieram diferente. Elas vieram com coxa grossa e assumindo que isso não era um defeito. E bummmm. Todo mundo queria ser uma panicat. Perdeu a graça. Perdeu.

      O que faz a Madonna ser a Madonna? Os dentes separados. É a marca dela. E o que as pessoas fazem? colocam aparelho. O que faz a Sarah Jessica Parker ser ela? Aquele nariz mais que estranho. E o que as pessoas fazem? cirurgia no nariz. Elas enxergam um ícone, querem ser igual, mas não conseguem perceber que o que realmente faz a diferença é ser diferente. O que te faz diferente dos outros, é na verdade o que te torna bonita.

      Agora vai fazer lipo, vai colocar silicone....não vou dizer que você ficará feia. Mas ficará comum. Do tipo que os homens até querem por uma noite. Mas o que realmente encanta é a mulher que mostra seus "defeitos" com a força e a sutileza de uma rainha e quase que diz: "é por isso que sou especial". E é mesmo!!!!!

      Quando eu terminei de escrever o post e li ele antes de publicar (sempre leio) eu pensei: a Mi vai gostar desse.....kkkkkkkkkkkkkkkkk

      bjsbjs

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