quinta-feira, 20 de março de 2014

A Teia de Aranha Alimentar - Segunda Parte: Depende somente de você

Para quem está chegando agora, os links para as outras partes do livro: 

Primeira Parte: Dependência Física 
 
Bom, agora vamos para o último pedaço da segunda parte. Essas partes que eu dividi o livro na verdade foram divididas pelo próprio autor. Eu só estou seguindo o livro como ele é. E coloco mais de um post por parte porque caso contrário ficaria muito grande. Eles já estão grande por demais. Mas, enfim, vamos lá....
 
A nossa fome muitas vezes é emocional. Quero dizer, estamos muito mais interessados pelo que a comida pode fazer pela nossa cabeça do que ela pode fazer pelo nosso corpo. 


Estamos comendo mais para alimentar nossas emoções que o nosso corpo. Mas nossas emoções pedem exageros e o nosso corpo paga por isso. “Estar deprimido, triste ou estressado é, em muitos casos, o gatilho que dispara a vontade de comer algo doce. Por quê? Por que os doces têm um efeito anímico positivo, quase imediato, pois contêm substancias que melhoram o humor, são relaxantes e funcionam como gratificação. O açúcar penetra rapidamente na corrente sanguínea e restabelece o nível de glicose necessário.

Isso gera um ciclo emocional que faz mal pro corpo. Mas esse ciclo emocional pode ser quebrado. Quanto mais saudável é nossa alimentação, mais o nosso corpo se estabiliza e entra em equilíbrio. Por outro lado, uma má alimentação pode gerar uma maior dependência emocional da comida. E aqui não estou apenas dizendo que quanto mais açúcar comemos mais queremos comer. Estou também falando que a super restrição alimentar também pode gerar uma dependência do açúcar. “Quanto temos uma má alimentação, sem fibras e carboidratos provenientes de frutas, verduras e cereais, nosso corpo pede doce com urgência. O mesmo acontece quando ficamos muito tempo sem comer, porque o nível de glicose no nosso sangue baixa e a hipoglicemia resultante informa ao cérebro que existe um déficit de glicose e que é urgente repô-la.”. Portanto, o mais importante é ter um equilíbrio alimentar. O que não significa não comer açúcar ou gordura. Significa comer na quantidade certa: pouca. Mas, infelizmente, hoje, uma pequena de quantidade de alguns alimentos já vem com açúcar em excesso. 

Se quisermos saber por que os doces engordam, encontraremos a resposta principalmente na porcentagem de açúcar que contêm, já que ele traz grande quantidade de calorias vazias, isto é, que não introduzem nenhum tipo de nutriente no organismo, mas ativam, isso sim, o centro do prazer, pois aumentam o nível de serotonina e geram um efeito de bem estar momentâneo.” E não só os alimentos declarados doces. O carboidrato que ingerimos é transformado em açúcar pelo organismo. Então o próprio carboidrato refinado já é um açúcar em excesso. Porque esse processo que temos quando comemos um doce, “o mesmo processo se desenvolve com os outros carboidratos refiados: quando comemos, por exemplo, pão, massas ou batata frita, a insulina e liberada na corrente sanguínea para levar glicose às células, produzir energia ou armazenar a energia não armazenada no tecido adiposo. Quando se completa o ciclo, os níveis de insulina no sangue caem e um segundo hormônio, chamado glucagônio, entra em ação para ‘gastar’, nas necessidades do organismo, a energia depositada em forma de gordura. No entanto, quando esses dois hormônios não atuam de forma balanceada, ou seja, quando o excesso de insulina limita a secreção de glucagônio, os órgãos e músculos se defendem criando o que se chama ‘resistência à insulina’. Como consequência, a glicose não será distribuída de maneira adequada e seu excesso no sangue vai se transformar em gordura, ou seja, a pessoa ganha peso.

Quando falamos, então, em controlar o açúcar, estamos falando também em controlar os carboidratos, principalmente os refinados. Mas hoje em dia a população é super dependente do carboidrato. “Aproximadamente 75% das pessoas com excesso de peso e 40% das pessoas com peso normal são adictas aos carboidratos. Eles garantem igualmente que essas pessoas não são culpadas pelo que acontecem com elas, já que o excesso de insulina, produzido pelo elevado índice glicêmico dos carboidratos que consomem, não se deve à ‘falta de controle’ do indivíduo, mas é simplesmente uma resposta fisiológica”. A pessoa não se descontrola com os doces, mas o seu corpo recebe o carboidrato como puro açúcar. O que no fundo, não tem muita diferença. Mas muitas pessoas acham que precisam de comer o carboidrato, caso contrário sentirão muita fome, quando na verdade é o contrário. “Quando não como farinhas, não ativo a insulina e, portanto, a fome diminui”. 

É que as pessoas não param para realmente pensar em sua alimentação e suas consequências no corpo. Elas não têm interesse de “saber porque está gordo. Quer emagrecer com urgência e ponto final”. Algumas, eu diria, está até mesmo cansada de buscar essa relação comida-corpo, mas buscam de forma errada. “Em geral, a maioria das pessoas obesas convive com um nível enorme de ilusão e, ao mesmo tempo, com uma grande descrença nas possibilidades de conseguir perder peso. Depois de vários anos de uma busca infrutífera de soluções, estão esgotadas e com um medo muito arraigado de se desgastar novamente como fórmulas inoperantes para emagrecer”. Mas a observação do que comemos e a consequência em nosso corpo é muito importante. Pois “o segredo para emagrecer pode ser descoberto com a inteligência e a observação. Na realidade, as substâncias químicas que estão nos causando dano estão nos próprios alimentos. Precisamos saber o que comemos, quanto comemos, o que contém tais alimentos e quais aqueles que devemos evitar. Dessa forma, entenderemos qual á a conexão entre os alimentos e determinados circuitos neuronais.

E, no final das contas, o alimento, que é vilão por estarmos acima do peso, pode e deve ser usado como aliado na perda de gordura. É uma questão de escolhas. O que escolher comer, quando escolher comer e porque escolher comer. Podemos sim fazer do alimento nossa solução. “Uma frase de Hipócrates, o pai da medicina ocidental que disse: ‘que o seu alimento seja o seu remédio’.”


Provavelmente ele tá falando da saúde de uma forma geral, mas em se tratando de obesidade essa frase tem seu valor duplicado. Usar a alimentação como remédio, em vez de usar o remédio para emagrecer. 

Poderia acrescentar que, neste mundo tão convulsionado, é essencial dar uma pausa, conhecer e selecionar os nossos próprios alimentos, para, em seguida, desfrutar de seus benefícios. Quando buscamos uma solução farmacológica desesperada, não apenas alteramos nossa biologia, mas também, ao mesmo tempo, anulamos nossa própria força e determinação. Nossa inteligência se embaça na busca da opção mais rápida, passiva e fácil: um comprimido que permita comer verozmente e ao mesmo tempo emagrecer. Essa atitude está de acordo com o lema da vida atual: ‘tudo rápido e já’, e os comprimidos surgem nesse cenário vertiginoso como outra possível solução. Aqueles que não têm paciência entregam os pontos e usam remédios para acelerar o processo de emagrecimento sem perceber que, na verdade, o que está fazendo é prolongá-lo indefinidamente.

  
É tudo uma questão de escolha. Escolher os alimentos certos em vez de remédios que anulem os efeitos da alimentação ruim. Dependendo das nossas escolhas podemos chegar ao lugar que queremos, ou podemos chegar ao lado oposto. Ou pior, podemos chegar a lugar nenhum. “Às vezes, gosto de pensar a vida como uma instância em que se abrem vários caminhos entre os quais devemos escolher: um caminho conduz a resultados positivos, outros a lugares nocivos e outros ainda não conduzem a lugar nenhum. E o ‘lugar nenhum’ é o pior que pode acontecer a uma pessoa, pior que o lado mau. O lado mau é identificável, o ‘lugar nenhum’ é nebuloso, é como estar mergulhando no abismo de consumir fármacos para emagrecer.

E no final das contas, tomar remédio para emagrecer é só uma substituição de vício. As pessoas substituem seu vício por comida pelo vício em remédio. Porque sim, é uma relação de dependência. Elas não lidam com a raiz do problema. Elas apenas mascaram, se dedicando a uma nova dependência. “O que vai acontecer se perderem esse arsenal de reguladores? Terão que lidar com tudo o que sentem, pois quando se tira a droga de um adicto, sua verdadeira personalidade aparece – depois da abstinência e da desabituação. No caso dos obesos, é o excesso de peso que o cobre o verdadeiro ser, o magro interior que não consegue vir à tona.

O segredo não é usar uma droga em substituição da outra, e sim para de se drogar. É o caminho mais difícil, mas é o único caminho eficiente. É preciso se desintoxicar. E “uma vez encaminhado o processo de desintoxicação, o adicto começa a ter pensamentos não viciados, atitudes mais tranquilas, mais serenidade e aprende a tomar distância, não apenas do seu objeto adicto, mas também de tudo aquilo que gera um apego excessivo e nocivo: consequentemente, ele aprende a dizer ‘não’ a um grande leque de excessos possíveis.”
Sabemos que isso não é simples: desistir do caminho fácil, desistir da felicidade instantânea. É preciso romper uma barreira, e o autor chama isso de “romper a barreira de cimento”. Ele diz:  Um dos passos a seguir, quando se trata de emagrecer, é romper a ‘barreira de cimento’. Recorro a essa metáfora porque ela condensa, ao mesmo tempo a ideia de processo e a ideia de estatismo. O processo compreende o trabalho e o tempo dedicado à construção dessa barreira com os mais variados matérias, o estatismo seria a expressão do estado final que se chega


Mas para vencer a barreira de cimento não é um processo fácil. Para o obeso essa barreira não só é cômoda, mas também necessária. É o que o protege do mundo. E ele faz tudo para mantê-la. E a ação mais usada pelo obeso para manter sua “barreira de cimento” é o autoengano. “Ao comer, a pessoa lança mão de uma série de mecanismos ou redes, cujo objetivo é garantir que a pessoa possa continuar comendo, e mantendo o circuito aditivo. Entre esses mecanismos, o principal e mais poderoso é o autoengano, pois está em conformidade com uma instância comportamental que nos afasta de qualquer possibilidade de reflexão acerca do que nos leva a fazer o que fazemos, bloqueando todas as saídas. Segundo Daniel Goleman, a pessoa que pratica o autoengano permanentemente acaba caindo em um estado de incapacidade de prestar atenção a aspectos cruciais de sua realidade.

O obeso “utiliza camadas e mais camadas de cimento que, por fim formam uma grande barreira impenetrável, que, embora seja protetora em alguns momentos, em geral o afasta de qualquer possibilidade de mudança e perpetua seu mal-estar

O ponto inicial é, portanto, sair da “barreira de cimento” e enfrentar a realidade. Assumir a realidade. O autor cita Sontagque que diz: “A tarefa de conferir realidade a um fato consiste em parte em ‘dizê-lo’, uma e outra vez, para insuflar a consciência do risco e a necessidade de prudência enquanto tal”. E completa: “a atitude oposta se transforma em autoengano: acreditar que não há problema algum e não fala com ninguém”.

Essa muralha de cimento que construímos, é na verdade e mais uma vez a teia de aranha que nós mesmos criamos. E que agora, precisamos entender isso: temos que desconstruir a teia. “É necessário chegar ao esconderijo da aranha para aniquilá-la e, em seguida, desfazer a teia, percorrendo e separando cada fio. Precisamos fazer o caminho de volta, romper os fios mais rebeldes, desarticular essa estrutura que nos sustentava.”. Na verdade precisamos desconstruir o vínculo que temos com a aranha. Pois criamos um vínculo com ela. E a “aderência é interna e externa: do lado de fora, está a aranha, que tenta, seduz e põe a mesa; mas, dentro de nós, existem mecanismos que nos levam a sentar à mesa, comer demais, não levantar mais e ainda defender, com unhas e dentes, mentiras e falsas promessas, o nosso lugar nessa mesa”. E “quem está preso na adição da comida terá de se livrar de seus mecanismos de autoengano para se reencontrar como o próprio corpo.

Para sair da proteção e do auto engano é preciso sim encarar a realidade, e “é essencial também expressar sua opinião a respeito das coisas a tempo, para não ‘engolir’ os pensamentos e os sentimentos. O desafio reside, definitivamente, em começar a ver se não passaram a vida dando voltas aos redor de um assunto pequeno, transformando-o em algo maior, só para não ter de encarar os assuntos maiores, fazendo-os pequenos.

Essa próxima parte é pra mim, que gorda, me escondo em casa. Me encho de comida e chocolate e me escondo, para que ninguém saiba o que eu fiz. Me escondo em moletons, e fico quieta em casa. Como se isso fosse mudar a realidade de que estou gorda e infeliz. 


E o autor diz que justamente precisamos fazer o oposto. Precisamos nos conectar com a realidade e encará-la. Enfrentar. E não nos esconder. Ficar em casa é reafirmar a “barreira de cimento”, enquanto na verdade precisamos aprender a lidar com a realidade e com os sentimentos que ela nos provoca. Ele diz: “O primeiro passo dessa corrida de obstáculos interiores é assumir que a verdade não é uma agressão, mas uma realidade. Se alguém diz, por exemplo: ‘não saio de casa, não quero que me vejam...’, não está tomando uma decisão, está apenas colocando um limite para sofrer menos. Sofrer menos, ao passo que continua alimentando esse monstro que é a gordura. Portanto, não quer que o vejam porque sente vergonha, porque está cansado da indiferença, do olhar crítico e prefere levar a vida pelo meio, escondendo-se, isolando-se. Como romper com essa vida vivida pela metade? Aprendendo a suportar as pequenas dores para não alimentar as maiores. Sendo ‘aquele que age’ em lugar de ‘aquele que sofre’, pois essa é a única maneira de abandonar a profecia autocumprida do fracasso

Se defender com a “barreira de cimento” não é melhor que ser reprimida pelo mundo. “Para Freud, as defesas partilham com a repressão a mesma finalidade e o mesmo objetivo, pois ambas constituem dispositivos cognitivos para modificar e distorcer a realidade, a fim de evitar a dor.”. Então, neste caso, nos defender com a “barreira de cimento” e ser reprimida pelo mundo é exatamente a mesma coisa. A opção tem que ser outra. Tem que ser enfrentar a realidade e ser dona do seu próprio destino. Precisamos chegar no ponto central do problema e resolvê-lo, para então assim, se libertar. “No caso da obesidade, embora (os mecanismos de defesa) sejam utilizados para continuar comendo, precisamos investigar qual é a dor subjacente a esse comer compulsivo, o que é que aquela pessoa não quer enfrentar, o que a levou a armar aquele dispositivo de proteção, que é tanto físico quanto mental.

Que é o que a Jillian sempre tenta fazer, seja no The Biggest Loser, ou no Em forma com a Jillian. 


Ela sempre fala: se você não descobrir o que te fez chegar aqui, você sempre voltará a esse lugar. Se não descobrir o que te fez engordar, depois vai engordar tudo de novo. Não importa se você entrou para um programa de televisão e emagreceu 100 quilos. Se você não entender e resolver o que te levou à obesidade, você será levada a ela de novo.  Se um gordo esta condenado a um ciclo interminável de dietas sem nunca perder peso, é porque não aprendeu com as experiências relacionadas à sua problemática ou às suas incapacidades pessoais. Então, tal como afirma Goleman, quem não compreende está condenado a repetir seus erros, a cair nessa estranha, porém comum ‘compulsão à repetição’, também chamada, no ramo da psicologia, de ‘lei da frequência’. Ela designa a tendência de determinadas experiências sem se importar se os seus efeitos são favoráveis ou nocivos”.

E acredite, a resposta não está lá fora. Está dentro de si. Por mais que tenha a ver com alguém ou alguma situação em algum momento, na verdade só tem a ver com como você reagiu àquilo. No final, só tem a ver com você. “Todo comportamento Obsessivo-aditivo é, definitivamente, autorreferencial, pois tudo é pensado com base em si mesmo, tudo é referente a si mesmo e não há interação com o objeto”.

E procurar essa causa da nossa obesidade fora de nós mesmo é se isentar da culpa. “Não podemos transformar a obesidade em uma apologia à gordura crônica. Quem vive sem forças e defende essa atitude é alguém que prioriza seus temores e suas perdas...A culpa é sempre de alguém ou de algo que lhe fez mal. Os responsáveis por tudo em nossas vidas são os outros, que estão fora de nós mesmos, e assim nos transformamos em vítimas de tudo que nos cerca. Nesse estado, a pessoa nunca será responsável por seus atos e continuará mergulhada no fatalismo, na resignação e na comodidade. No fundo, essa compreensão da própria vida revela uma personalidade muito infantil. Para conseguir se motivar, é preciso fazer o oposto: ser grande em atitudes e atos e realizar seus projetos.”. 

E para isso temos que nos assumir e não gerar codependência. Porque muitas vezes imaginamos que somos obesos por culpa dos outros, enquanto na verdade a culpa é nossa. E essa culpa que atribuímos às outras pessoas gera uma codependência, como se o nosso emagrecimento também dependesse dessas outras pessoas. 


Mas não depende. Só depende de nós mesmo.  Precisamos quebrar também essa relação de codependência. “Parte do método consiste em desmembrar a codependência, fazendo com que o paciente se encarregue e seja responsável por seu trabalho. É característico ouvir os pacientes relatarem que seu ambiente familiar sabota o tratamento. Dizem por exemplo: ‘o que acontece em minha família é que minha mãe está muito feliz com os quilos que perdi, mas olha pra mim com tristeza, traz a comida e me olha como se eu fosse uma coitadinha’.” Não vou dizer que a codependência não existe, mas quando ela existe é gerada, provocada, por nós mesmos. “É preciso aprender a conviver sem gerar codependência por parte dos que fazem sua comida ou lhe alimentam com pena.

Além do autoengano e da codependência, um outro fator atrapalha o emagrecimento: a sublimação. Precisamos lidar com a realidade. Mas, muitas vezes, por acreditar que não vamos conseguir lidar com a realidade que aconteceu, transferimos todo aquele sentimento para outro objeto (no caso dos obesos, a comida), por acreditar que assim, conseguiremos lidar com aquela realidade. Isso se chama sublimação. “sublimação – é um processo por meio do qual se satisfaz, indiretamente, um impulso inaceitável transferindo-o para um objeto socialmente aceitável.”. A sublimação (assim como o autoengano) é um mecanismo de defesa que precisa ser evitado. “Quando um mecanismo de defesa está muito arraigado, ele se transforma em um hábito, e esse hábito modela o estilo de atuação da pessoa”. O que precisamos é quebrar este ciclo. Quebrar o hábito. Encarar os problemas e a realidade de forma diferente. Precisamos compreender do que queremos nos esconder, para assim poder enfrentar e finalmente aparecer. 

É possível atenuar tais mecanismos, e enfrentar a dor sem maquiagem. "Em princípio, é preciso abandonar as armas e, mesmo que se sinta indefeso, assumir as responsabilidades pela própria realidade e olhar seu corpo de frente. (...)Proponho que você comece a desembaraçar esse emaranhado, e destecer essa rede de dentro pra fora, a trabalhar suas emoções e tristezas, pois já vimos que a solução não está em lançar mão da comida, muito pelo contrário: se, no momento da angustia e da tristeza, tentarmos acalmar a dor comendo e mastigando, nunca chegaremos a sentir e a chorar

Definitivamente precisamos romper a “barreira de cimento”. E como romper a “barreira de cimento”? “Por meio do confronto, recurso que nos permite reagir. De tanto nos esforçamos para não sofrer alimentamos um sofrimento ainda maior e, paradoxalmente, só os ‘maus-tratos’ podem nos salvar, nos fazer encararmos que não quisemos ver no início. E uma vez removida a ‘barreira de cimento’, o que fica é a gordura, que vai embora rapidamente. Por quê? Porque quando a cabeça está magra, o corpo a segue.

Resumindo...precisamos para de mentir para nós mesmos. Se estamos gordos, a culpa de nossa e de mais ninguém, e aquela realidade que não queremos ver não é dura ou impossível de ser vivida. Só de a realidade. E mais, se não estamos felizes gordos, podemos mudar. Não precisamos fingir que tá tudo bem quando na verdade não está. Mas o obeso,“ na condição de gordo, adicto crônico, é uma grande mentirosa. Tudo é conveniente, tudo é subestimado, tudo está bom para ela. Contudo, de tanto se esforçar para não ser vista como frustrada, vai desenvolvendo uma personalidade insensível diante das novidades, pois o segredo está em enfrentar-se a si mesma para obter o alívio verdadeiro e poder seguir a diante. É exatamente neste momento que ela precisa estar muito esperta, muito alerta para tingir seus objetivos e não voltar a dormir diante da vida, tal como fazia quando comia.

Quando o autor diz que o obeso é mentiroso, não está o descrevendo em relação ao mundo. Está falando de como ele é em relação a ele mesmo. Na verdade o obeso é muito mais que um auto-mentiroso. O obeso é “uma pessoa adicta, descontrolada, que perdeu sua escala de valores, pois atribui muito valor à comida e muito pouco ao resto. Assim, embora o corpo tenha de estar na base de sua vida, ele está lá longe, na ponta, perdido, e quem está na base é a comida, como rainha soberana. Nesse caso, a pirâmide da alimentação tem mais valor que a pirâmide da vida. É por isso que quando iram o pão de um obeso, entra em jogo o valor que ele dá ao pão: e não se trata do pão nosso de casa dia, mas do pão em excesso que ele não deve comer

Na verdade os obesos tem mesmo uma mania de se fazer de coitadinho – falo isso porque estou nesse grupo. E muitas vezes queremos mesmo gerar pena. E uma coisa que o autor disse que é muito interessante é: obesidade é uma doença, e como tal não deve ser facilitada (não estamos aqui falando da mulher gordinha cheia de curva; estamos falando da obesidade que pode chegar a ser mórbida e realmente matar). Enfim, muitos gordos reclamam que o mundo é feito para os magros. Que não acham roupa, não conseguem ir ao cinema e teatro. Quando isso, na verdade, é uma mentira, ou mesmo uma realidade exagerada. As pessoas normais ( e não magras, só normais), conseguem achar roupa, e ir ao cinema e teatro. E o autor disse – e eu achei mesmo muito interessante – que se, por exemplo, todas as companhias aéreas fabricassem assentos maiores a pedido dos gordos, fomentariam a codependência. Com acentos maiores os gordos não precisariam emagrecer. Novamente repito: falos dos super obesos. Seria como apoiar a obesidade mundial E o autor diz: “na realidade, a resposta diante de um pedido desse tipo  deveria ser a seguinte: ‘viajem de trem ou de navio; se vocês estão mal, não vamos fornecer lugares mais espaçosos. Se fizermos isso, nunca vão se curar; não estaremos ajudando’.” E é verdade. Nos fazemos de coitados, como se nossa condição não fosse culpa nossa e como se não fosse alterável. Podemos e devemos mudar. Não para ficar mais bonitas, mas principalmente, para ficarmos mais saudáveis.

6 comentários:

  1. Amiga, o site do Dr Souto, e do emagrecer de vez, explica exatamente isso, a dependência que o açucar e o os carboidratos ruim, (gluten, trigo) provocam no nosso organismo, disparando a ação da insulina, e aumentando nossa compulsão, e a pura verdade, retirei o açúcar, e os carboidratos ruins, e a minha fome diminui muito, e libertador não precisar comer a cada 3 horas, e ficar tranquila, não chegar a hora da próxima refeição e estar descontrolada, por que tem muito tempo que me alimentei, visita o site amiga vc vai gostar, fora meu intestino que agora e um relógio!!!

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    1. Lu, mas to louca para saber do "emagrecer de vez". Vc comprou o e-book? Tô super curiosa......

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  2. Comprei, o livro, sim amiga!!!! Mais o site e gratuito e por lá já tem muita informação!!!!

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    1. Obrigada Luciana pela informação. Eu acredito que o livro deva ser ótimo, mas o vídeo da propaganda eu acho tão forçado, tão ensaiado, que eles perdem muita gente nessa brincadeira. Não fica natural. E fica quem nem mil outros por aí. Mas é bom saber que é mesmo bom o produto, obrigada pela informação.

      bjsbjsbjs

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  3. Gostei tanto dos seus textos e resumos sobre a teia de aranha alimentar que comprei o livro pra mim She! Mas ainda não comecei a ler /o\ ... axo que não tenho tempo de vida suficiente pra ler todos os livros que eu quero! rsrsrsrs... tem 2 na fila antes dele!
    Beijo e obrigada por tantas informações valiosas!

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    1. Que notícia boa....vai adorar o livro. Eu também tenho milhares na lista de esperar (alguns já comprados e outros não). Esse mesmo da Teia de aranha alimentar estou quase sem tempo para lê-lo. Não parece, mas este resumo que faço é bem difícil de fazer, tenho que ler o livro, tirar as citações principais, e fazer um texto para unir todas em um texto coeso. É bem trabalhoso, demanda tempo....mas vou arrumar um pra postar o próximo capítulo. Mas leia o livro, tem muita coisa interessante e aqui não dá pra citar tudo.

      bjsbjsbjs

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