quarta-feira, 18 de junho de 2014

A um passo da obesidade mórbida

Antes de começar este post, já quero pedir desculpas. Por favor, não levem para o lado pessoal o que eu digo. Eu nunca estive na obesidade mórbida e só posso avaliar a situação pelo lado que eu conheço: o de fora. Sinto necessidade de me desculpar antecipadamente porque sei que a obesidade é um assunto muito delicado. As pessoas se sentem ofendidas muito facilmente (mas não deveriam). Por isso quero deixar claro que estou falando de mim, do meu ponto de vista (o que não quer dizer que é a verdade), e eu, como blogueira do emagrecimento (nossa....me achei agora...kkkkkk), sinto a obrigação de falar isso. De falar do que penso, o que acho....então, vamos lá:

Assistindo a um episódio de "quilo por quilo", o Chris Powell aceitou a Staci como cliente. Ela como mais de 220 quilos. Mais pesada que a pessoa mais pesado do "The Biggest Loser", e a cliente mais pesada do Chris. Ela estava na obesidade mórbida. Ainda podia caminhar, ainda trabalhava....mas estava a um passo de morrer. 

Então, em um determinado momento o Chris perguntou como ela chegou naquele ponto, e ela disse: "Em algum momento da adolescência, eu simplesmente desisti de ser magra. Achei que iria ser gorda pra sempre. Então eu me conformei. Me entreguei."

Nossa.....isso me fez parar para pensar. 

Porque eu estou há tanto tempo perseguindo a magreza. há tanto tempo lutando por isso, numa briga que parece nunca ter fim. E muitas vezes eu me pergunto se vale a pena. Uma voz lá no fundo da minha cabeça às vezes me pergunta se não está na hora de desistir. E eu dou quase um pulo e grito: "desistir? NUNCA!".

Juro. A conversa é sempre assim. Graças a Deus termina com "desistir? NUNCA!". Mas eu não sei até quando será assim. Por quê.....bem, pra que lutar tanto?

E assistindo ao episódio da Staci do "quilo por quilo" eu entendi o porquê. 

Realmente quem desiste se entrega. E depois que se entrega os pontos, tanto faz 5 ou 10 quilos a mais. E depois de uns anos, de quilo em quilo, chega-se a 90 quilos a mais. Justamente por desistir. Ahhhhh, tanto faz. É assim que se chega na obesidade mórbida. 


Uma vez, na adolescência, eu cheguei aos 103 quilos. Foi o meu maior peso na vida. Já estive muitas vezes perto dos 95, muitas vezes perto dos 85, e algumas poucas vezes perto do 75. E ter toda essa variação de peso é um saco. É um saco. Desculpe o palavreado, mas nada mais define o que é. E é um saco.

Mas seria muito pior ter chegado aos 150 quilos. Ou 200 quilos. Isso sim, seria mil vezes pior. De novo - peço desculpas - não quero julgar ninguém que tem este peso, ou criticar. Quem sou eu. Estou apesar analisando as coisas e a minha vida do pondo de vista de dentro e bem do fundo da minha cabeça. 

Sabe por que eu vario tanto no peso? Eu não sei. E se eu descobrir, prometo vir correndo contar. Mas sempre que estou a um passo do meu peso ideal algo me faz voltar lá pra trás. Mas sabe porque eu ainda não cheguei nos 150 quilos? Porque toda vez que estou perto de mais dele (seja com 85 ou com 95) eu sinto medo. Medo de ter obesidade mórbida. Medo de chegar a um ponto em que eu desista de emagrecer. Medo do preconceito. Medo da minha infelicidade. Medo de tudo....e eu decido fazer algo a respeito. Eu decido retomar as rédeas da minha vida e emagrecer. E me prometo que desta vez será a última, porque vou conseguir. Vou chegar até o final. 

Sem dúvida é muito chato ficar nesse emagrece-engorda. Mas ao mesmo tempo, ainda bem que é assim. Porque é isso que me mantém afastada dos 150 quilos. E por mais que seja chato, por mais que eu esteja cansada disso, por mais que eu sinta que a minha luta não esteja dando em nada......é isso que me mantém afastada da obesidade mórbida. Eu sei, eu deveria ficar cada vez mais perto da magreza. Me esforçar para isso. Eu sei. E eu sinto raiva de mim todos os dias por não ter aprendido isso ainda. Mas só de estar longe do outro lado lá......isso já me deixa um pouco feliz. 

O que quero dizer é: não desista. Não desista nunca. Por mais que você nunca se pareça com uma artista de cinema, é a sua tentativa de chegar até ela (nem vou falar dos excessos de piração, deixo isso para outro post) que nos faz ficar longe do outro extremo. E só por isso, acho que já vale a pena. 

E sabe...eu preciso confessar uma coisa: às vezes o assunto dieta entra na conversa feminina. E apesar de não gostar de falar disso na vida real (por isso eu tenho o blog....falo aqui), tem uma coisa que eu semre confesso: "estou sempre de dieta". Mas sempre tem alguém que te olha com um olhar de superioridade (odeio este olhar) e fala: "ahhhh, eu desisti". Como se com isso elas tivessem encontrado a felicidade. Mas você vê no fundo do olhar a felicidade falsa da criatura. Não foi 1 ou 2 pessoas. Muita gente já me disse isso. E quando eu ouço isso, chego a ficar arrepiada. 

Desculpe a minha descrença, mas eu duvido. DUVIDO que tenham desistido. DUVIDO. E se desistiram, descobriremos daqui uns anos. Duvido que não peguem leve no dia seguinte depois de ter comido um monte de besteiras. Duvido que não convidem alguém pra caminhar depois de ter devorado uma barra de chocolate. DUVIDO. 

"Ahhhh, isso não é dieta", tudo bem, mas isso também não é desistir. Duvido que tenham desistido. Mas quando eu ouvia esse comentário, do tipo "desisti!" chegava me dar coceira. E agora eu entendo o porquê. Depois de assistir o programa eu entendi o porquê: desistir não é uma opção. Então não venha me dizer que isso é possível, que isso pode ser feito e ainda assim achar a felicidade. Tudo bem, confesso aqui a minha incredulidade. E quer saber? Se você encontrar sua felicidade na desistência, ótimo pra você. Vai fundo. Mas pra mim, a felicidade é não desistir nunca. Eu nunca vou desistir de pesar 76. E enquanto eu não chego lá, vou me sentir feliz, muito feliz, por estar evitando os 150.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...