terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A Teia de Aranha Alimentar - Terceira Parte: o corte, a medida e a distância

Como e disse anteriormente, continuarei as resenhas do Livro "A teia de aranha alimentar". Então vamos lá. E para quem está chegando agora, os links para as outras partes do livro:

Primeira Parte: Dependência Física 

Fazia tanto tempo que eu não lia e escrevia sobre o livro que tive que ler as minhas resenhas anteriores para continuar. E assim como fiz na primeira e na segunda parte, também ou dividir a terceira. Para  post não ficar maior do que normalmente é.

Nesta terceira parte do livro, o autor explica como é a dieta e no que ela é baseada. Uma dieta com o objetivo de reduzir a compulsão, reduzindo drasticamente a quantidade de alimento e cortando outros, pois "nosso corpo se desequilibra por completo quando comemos em excesso e incorporamos ingredientes que alteram silenciosamente o nosso sistema neuro-hormonal."



E também nos faz pensar no lado emocional, para que paremos de usar a comigo como resposta para tudo. "Temos problemas diferentes, mas uma mesma solução: comer demais". Mas "as pessoas que conseguiram pôr um fim na gordura são aquelas que treinaram habilidades diferentes, distantes do comer demais". Entretanto deve-se evitar o substituição de um vício por outro. O objetivo não é simplesmente acabar com o vício em comida, mas com o vício no excesso. "O objetivo é, portanto, modificar a relação de transgressão, apego e excesso, não apenas no que diz respeito à comida, mas em todas as áreas da vida. Desse modo, conseguiremos frear nossos impulsos e evitar a substituição de uma adição por outra, isso é, o apego à outra válvula de escape."

Embora seja comum as pessoas trocarem um vício por outro, também é comum que as pessoas aprendam a lidar com todos os seus vícios ao tentar lidar com um deles. "Embora a tendência geral seja a substituição de uma adição por outra, o fenômeno inverso também se verifica. Observei muitos casos de multiadição (comida, tabaco, álcool) entre meus pacientes e verifiquei que, quando resolviam mudar e cortavam o vinculo de dependência com a comida, cortavam também outros vínculos nocivo. Isso significa que, quando alguém está no caminho aditivo, é muito provável que outra adições se acumulem, mas, quando a pessoa está na direção certa, rumo à libertação de uma adição, as outras, ao contrário, se desarticulam."

Mas para isso é preciso fazer as escolhas certas, caminhar pelo caminho certo. O que nem sempre é fácil, mas é necessário. Emagrecer não é fácil, e precisamos no conscientizar disso. "Os obesos costumam esperar, 'incessantemente', que aconteça um clique mágico que acabe com sua ansiedade, com a sua compulsão, para que eles possam emagrecer sem esforço. Não sabem como se livrar do problema e continuam a esperar por alguém ou algo que os liberte, sem que tenham que passar por alguma abstinência ou pela dor, por menor que seja. Esse é, definitivamente, o verdadeiro carma do obeso e do adicto em geral: sempre procuram soluções no exterior, seja para alimentar a doença, seja para imaginar ou idealizar a cura, acomodando-as a seu próprio descontrolo e necessidade de gozo. Lamentavelmente, esse famoso clique não chega nunca, pois é mais uma tentativa insensata de enganar-se a si mesmo e adiar eternamente o problema. É conveniente, então, deixar de lado as fantasias da cura improvável, pois elas alimentam ilusões em corpos e mentes desanimados".

Precisa-se então, tratar a mente e o corpo. Preparar a mente para fazer as escolhas certas. "Se existe um comportamento descontrolado, não é possível sentir nem pensar corretamente. Somente quando 'corto', quando começo a ser eu, encontro alívio e posso orientar meus pensamentos e minhas ações para o núcleo dos meus problema. Primeiro 'corto' com o comportamento ruim, depois penso filosoficamente. Mudar dói, mas não mudar mata"

A dieta sugerida pelo livro é mesmo radical. Mas essa sugestão é intencional. "Como o problemas que enfrentamos é muito grave, complexo e incisivo, a solução também deve ser, por isso, muito aguda e rápida. Aguda pela inteligência e rápida pela simplicidade e porqe o lugar da comida em nossas vidas deveria ser restrito (tanto no espaço quanto no tempo). Considerar o problema simples e alaborar uma soluão longa e complexa é um caminho que conduz ao fracasso."

"O que devemos fazer, então, para modificar  nosso papel, nosso vínculo com a comida? Em primeiro lugar, precisamos perceber que esse vínculo existe por alguma causa; nós o construiremos e o manteremos por algum motivo, e ele se mostrou útil como fio terra em nosso vai-vem diário por alguma razão. Entretanto, também existem casos em que o vínculo aconteceu por acaso, porque certas substancias aditivas nos atraíram e ficamos presos à sua rede. Nos dois casos, chega-se a um momento em que a substancia nos domina e nos condena." Por isso temos que cortá-la drasticamente. Por isso que a dieta é drástica, porque o corte deve ser assim. E temos que agir agora, sem perder nem mais 1 segundo. "Não podemos ficar esperando 'aquele' momento supostamente adequado para cortar o vínculo. Temos de parar de adiar o 'corte' para segunda-feira ou para o mês que vem. É preciso fazer algo diferente dessa vez."

Então o Dr. Máximo Ravenna apresenta o plano dele, baseada em 3 aspectos: o corte, a medida e a distância. "Utilizamos uma chave-mestra que vai permitir uma coisa: ficar melhor com o emagrecimento e continuar magro por estar melhor. Que chave é essa? É o método do Corte, Medida e Distância. (...)No processo de transição de pessoa gorda para pessoa magra, entram em ação o Corte, a Medida e a Distância, como ferramentas comportamentais para gerar mudança. (...) Analisaremos mais detalhadamente esses três pilares que vão nos ajudar a fazer com que a química cerebral, o esquema comportamental e um objetivo claro descubram um ponto de encontro a nosso favor".

Então vamos lá, ver cada um desses aspectos:

O CORTE: tesouras em ação


O autor explica:

"Neste momento, gostaria de pedir que você não se fixasse nos 5, 10, 50, 100 ou 200 quilos a mais que tem há não sei quanto tempo. O número não importa, nem o tempo transcorrido. Peço que se concentrem em uma ação correta, pois no futuro a magreza representará definitivamente a concretização de um desejo, o início de uma ação que nos devolveu o orgulho, a plenitude e o bem-estar."

"Qual é a ação correta? Dei-lhe o nome de CORTE e ela pressupõe a superação do instante em que o instinto toma conta de nós. É colocar em ação o último alento que nos resta, porque não há outra forma de se desprender de um vínculo daninho, de um passado asfixiante, da comodidade e da preguiça, a não ser pelo meio de um corte. Todos sabemos que é muito difícil emagrecer muitos quilos em pouco tempo. No entanto, o que é possível e constitui um ponto de partida inquestionável é que, quando a pessoa corta o excesso, a sensação de fome se modifica drasticamente e desaparece em um prazo de 48 horas. (...) 48 horas depois de diminuir substancialmente a ingestão de alimento, a saciedade aparece naturalmente"

O autor sugere mesmo cortar drasticamente a quantidade de comida. E a teoria dele é que quanto menos se come, menos se sente fome. 

"Em poucas palavras, o processo é o seguinte: quanto menos se come, menos fome se sente. E ao contrário, quanto mais se come, mais fome se sente. Consequentemente, essa fórmula se transforma em uma aliada, pois oferece armas naturais para combater a voracidade e gerar saciedade. É assim que podemos vencer essa primeira partida contra a obesidade."

E este "corte" deve ser feito de maneira inteligente. Já que se passará a ingerir pouca comida, que essa pouca comida seja repleta dos nutrientes que o corpo precisa. Nada de calorias vazias. E nem nada que remeta a adição, ou seja, não se deve comer aqueles alimentos que funcionam como gatilho para a compulsão: "A redução da ingestão deve ser acompanhada, por sua vez, por uma seleção de qualidade de alimentos. Nessa primeira etapa, a perda rápida de peso é crucial. Portanto, devemos evitar alimentos que sirvam de veículos para os ingredientes silenciosos. Por quê? Porque eles geram mudanças metabólicas e adição quase imediata. "

Entretanto, não há uma lista de alimentos. "Não  indicamos um tipo de alimento em particular, mas trabalhamos com o conceito de comer pouco. Assim, o entorno do paciente não se sente tão afetado, mas aliviado ao constatar que sua casa não foi transformada em uma horta orgânica.". Claro, os alimentos que ativam o gatilho da compulsão devem sim ser evitados, mas isso só não é recomendado de forma radical para não dar aquela sensação de prisão que as dietas provocam. 

E ao desenvolver o "corte", deve se ter muito cuidado para seguir os passos bem certinho. Porque o obeso é obeso justamente por não seguir os passos certos. Por isso a atenção tem que ser redobrada. "Um gordo é, basicamente, um grande transgressor de todas a lei que aparecerem, exceto as que ligam à sua própria dependência. 'Sou rebelde com tudo, menos com o que me aprisiona'."
"Qual é, então, a nossa proposta? Qual será a nossa meta? Para começar, nosso objetivo é levar você a fazer um corte: cortar com um círculo vicioso e dar início a um círculo virtuoso. Cada dia é um elo desse círculo, que não será de muita comida, mas de pouco. E, graças a isso, será possível pensar de outra maneira no dia seguinte". E assim, "através do corte, não é somente a fome que vai desaparecer, mas também a vontade de resolver os problemas por meio da comida. Quando a cabeça se esvazia da substância aditiva, pensa melhor, além  de poder enfrentar os sentimentos sem necessidade de se refugiar na comida."

Quando se come compulsivamente, não se está comendo. Se está preenchendo o vazio interno com comido. E isso é diferente de comer. Chega a um ponto em que não identificamos mais a fome. Não sabemos quando nosso corpo está mesmo com fome e qual a medida para saciar a fome. Simplesmente comemos até nos sentir confortados, e isso, esse conforto, demora a chegar e dura pouco. "Quando a quantidade de comida que ingerimos supera o limite necessário para nos alimentar, o que estamos fazendo é diferente de comer. Portanto, se não soubermos o que é necessário fazer para puxar o freio (porque além de tudo existem círculos químicos que nos impedem), temos que cortar." Quando não sabemos mais identificar a fome, e identificar a quantidade para saciarmos a fome, por estarmos tão entorpecidos com a comida, precisamos do corpo, para nos afastar da comida, e assim voltar para o estado básico do corpo em que identificamos a fome e a quantidade para saciá-la. 

O obeso vive uma contradição no seu vício. Porque ele quer o resultado que o afastamento do seu vício pode gerar, mas ele não quer se afastar do seu vício. "Um adicto é quem deseja sair de uma situação e não consegue. Isso significa que o vínculo que estabeleceu é tão intenso, tão necessário, tão incomodo e, ao mesmo tempo, gratificante, que o tema recorrente é a questão da ambivalência:
- Não posso deixar de ser gordo porque não quero deixar de comer
- Quero parar de comer, mas não consigo e não quero sofrer a dor de não comer
- Também não gosto de estar gordo, mas já que eu como hoje  e só engordo amanhã, posso me dar aos luxo de comer sem perceber que o hoje mais hoje é o amanhã dentro de uma hora e, então, vou me encontrar de repente gordo e doente de obesidade.
-Na realidade, sou um comodista que, quando teve a oportunidade de puxar o freio, quis continuar e comer ou não quis bater à porta para pedir ajuda. 
Emagrecer é a verdadeira aprendizagem de uma arte, a arte do emagrecimento, cuja instância inicial deve ser um sincero e abrupto corte e uma limitação das quantidades de alimentos ingeridos. Isso gera saciedade a curto prazo, desperta a mente e, portanto, já não importa o quanto se come, mas quanto peso se perde.

E é importantíssimo conseguir isso o mais rápido possível, pois, embora não pareça, ter sucesso a longo prazo exige esforço muito maior. Quanto maior o prazo, maior o desgaste, a 'estafa dos materiais', os resultados medíocres e o risco. Por exemplo, tem gente que demora 1 ano para perder 15 quilos, o que é um crime, por normalmente esta é a perda de um mês e meio. Quantas horas perdidas, quantas especulações a serviço de não ver que a única atitude a ser tomada é cortar e aguentar dois ou três dias, associar-se a certos conceitos, ser digno e verdadeiramente responsável! E esperar que o metabolismo químico bloqueie a ansiedade de comer e a tranquilidade retorne."

Ou seja, o obeso que é viciado na comida, por mais permissiva que seja uma dieta, ele irá sofrer. Ele irá sofrer por não poder comer o que realmente deseja. E já que vai sofrer de qualquer jeito, porque não sofrer por um tempo menor. E neste caso, segundo o autor, é realmente por um tempo muito menor. Pois, depois dos primeiros dias, o corpo para de sentir fome. E, ao mesmo tempo, com esse corte drástico o emagrecimento é mais rápido. O corpo se estressa (e se estressaria de qualquer forma), mas se estressa por um tempo bem menor - segundo o autor. 

E para isso, os primeiros dias deverá ser vencido com o poder da decisão. O obeso tem que escolher, escolher se sentir bem em vez de escolher a comida. "Na realidade, toda tentação é uma decisão, isso é, você é responsável por se sentir tentado; o que ocorre é que, embora tenha provado o gosto da comida, nunca provou o gosto de se sentir bem".
"O corte da substância é um encontro com nossa essência, com nossos medos verdadeiros e com os outros elementos que nos paralisam e destroem nossa autoestima em todos os âmbitos"

A MEDIDA: o salto seguro

O autor explica:

"A relação com a comida no processo de emagrecimento é, como sempre digo, muito parecida com a de um casal infeliz que se divorcia, mas precisa manter algum tipo de contato e comunicação, pois existem filhos. Ninguém pode cortar o vínculo com a comida definitivamente: embora seja prejudicial em excesso, o alimento é essencial para a vida e precisamos dele. Essa situação é diferente quando se trata de outros tipo de adição. "

"No caso da comida, o desafio reside em poder conviver com ela sem descontrole. Portanto, é fundamental que, uma vez realizado o Corte, incorporemos a noção de Medida, para poder dar o salto que vai nos tirar da rede em que estamos presos e nos transporta para um território mais seguro"
"O que podemos aprender com a Medida? Pouca quantidade e grande variedade: comer pouco, de maneira diversificada e divertida.....por que não?"
"A medida é o limite, é o território no qual nos movemos, uma zona muito bem demarcada, equipada com sinais de alarme que avisam quando o terreno começa a se expandir. A medida é, principalmente, a pequena porção, conceito que, depois de assimilado, transfere-se automaticamente para o tamanho do corpo, e consequentemente, da roupa.

"Sobre essa questão, é necessário assimilar como são descomunais, por exemplo, as porções de alimentos que ingerimos habitualmente. Se retrocedermos o tempo e chegarmos a cinquenta anos atrás, vemos como o tamanho das porções aumentou. Os seguintes dados refletem esta realidade:"


"Certamente, é inegável que, se há 50 anos nos alimentávamos com porções bem mais reduzidas que as atuais e não havia tantos casos de obesidade, hipertensão ou diabetes como temos atualmente, aquelas deveriam ser as verdadeiras medidas, as que deveríamos consumir. Da mesma forma, as porções enormes a que nos habituamos são um sintoma claro da distorção e do excesso em que vivemos.

O mundo atual nos acostumou a comer muito, e a obesidade é uma consequência disso. O comer menos não é uma privação ao corpo. O comer menos é o recomendável. É o certo. É do que o corpo precisa. 

"Ao colocar o Corte em prática, percebemos que comer pouco gera um bloqueio da sensação de fome, o passo seguinte consiste em sustentar o "não" diante do impulso e das tentações e optar por uma Medida pequena das porções. Esse passo é decisivo, pois implica uma escolha: 'como mais', sabendo que não vou acalmar a minha fome ou 'continuo a comer pouco' para não ter mais fome."

Ou seja, é preciso um comer mais consciente. Precisamos escolher se vamos continuar no circulo vicioso ou sair dele. E comer menos é a escolha consciente de sair do circulo vicioso. E se a nossa decisão é pelo correto, é sair desse circulo vicioso, não podemos mais deseja o que nos faz mal, o que nos mantém no circulo. "Se pela enésima vez resolvo ficar magro, decido ficar bem. Portanto, não posso desejar o tóxico. E o que é tóxico? É o que o separa da pequena porção daquilo que você quer comer.

Mas para se conseguir tudo isso, é preciso passar pela etapa inicial. "Em geral, os pacientes exibem uma irritação diante da mudança: 'durante os primeiros meses eu vivia irritado, apesar dos 10 quilos que emagreci nos 20 dias iniciais...depois, comecei a pensar como magro e tudo mudou na minha vida. Antes comia uma dezena de pratos por dia. Hoje, quando saio para jantar, divido o prato' - diz Raúl, um paciente que perdeu nada menos que 100 quilos. Seu caso (como tantos outros) revela que na verdade, o metabolismo do obeso não difere tanto assim do metabolismo do magro, que o comportamento supera a suposta doença irrecuperável. Raúl aprendeu a comer de tudo, mas como um magro faz. Aprendeu a ser um magro que se cuida (e cuida da medida) e não um gordo que está menos gordo. Ativou um sistema de alerta que indica quando deve parar. 'Cheguei a meu peso ideal há 2 anos. Pode ser que ganhe 3 quilos, mas perco rapidamente. Essa oscilarão é normal. A gente sabe que, se cometeu algum excesso, precisa compensar em seguida, porque a roupa começa a apertar. É possível e não é difícil.', comenta.

Depois de conseguir o corpo de magro é preciso começar a pensar como magro. Porque se você voltar a pensar como gordo, vai voltar a comer como um gordo. O magro não quer comer tudo o que está na sua frente. O magro prova um pouco de cada coisa e para assim que se sente saciado. O magro não se força a comer mais que pode só para poder experimentar mais e mais. O magro sabe exatamente quando parar de comer, e é isso que o gordo precisa fazer para emagrecer e para se manter magro. 

E não só isso, o magro age imediatamente. Se o magro exagerou um dia, imediatamente volta a comer pouco no dia seguinte. O magro não espera até a próxima segunda. "Por que as pessoas magras mantém o mesmo corpo durante anos? Porque quando engordam, não correm para comprar roupa nova, não se adaptam muito facilmente ao novo peso, mas começam imediatamente a fazer dieta e eliminam o excesso. Para manter a magreza é fundamental, então, reagir e agir a tempo. " E tudo isso se consegue desenvolvendo a medida.

"A medida está na porção, no tamanho, na ação e aplaca a fome. Com medida há equilíbrio, sobriedade e saciedade fisiológica. Ao incorporar uma Medida que nos alivia de um vínculo tão sufocante, também aprendemos a ser comedidos nos comportamentos e nas emoções. Consequentemente, nossa relação e reações se equilibram: preferimos a alegria à euforia, a medida ao descontrole e canalizamos nossa energia para o encontro de prazeres reais, diante  dos gozos privados, nocivos e exagerados." A medida é o que nos ensina até onde podemos ir. 

"Anime-se, então, a dar esse salto da rede, porque não é um salto no vazio, é um salto seguro. É soltar, não é tomar. É liberar, não agarrar."

("No próximo - próximo post - capítulo desenvolveremos os diversos planos alimentares e analisaremos como deve ser a Medida de um ponto de vista calórico. Por enquanto, vamos dirigir toda a nossa atenção para um terceiro pilar que, junto com o Corte e a Medida, é essencial no caminho para a magreza e a saúde: a Distância.")


A  DISTÂNCIA: desprender-se da rede


O autor explica:

"Depois de colocar em prática o Corte e a Medida, nossa relação com a comida vai se transformar em razão de um distanciamento delicado e frágil."

"A distância é um conceito que propõe uma nova visão em nossa relação com a comida e nos ajuda a marcar novamente o nosso descontrole aditivo, vincular, emocional." Ou seja, é mesmo se distanciar disso tudo. Se distanciar da obesidade, se distanciar do descontrole, se distanciar da comida em excesso. 

E a distancia não é apenas para ser praticada, é também para ser admirada. "Admirar a Distancia é admirar um território bem delimitado. Esse território tem horizontes, margens e limites. Entretanto, é bom lembrar que, se não há limites, não há território para admirar e cuidar. E o Corte e a Medida já nos deram esse limite"
"Vamos recorrer mais uma vez à figura do magro para ilustrar esse conceito, pois é nele que podemos observar uma atitude de distanciamento inato em relação à comida. E essa característica foi corroborada por diversos estudos realizados com população de gente magra, à qual se ofereceu duas ou três vezes mais comida que ingeriram habitualmente e, engordando ou não, a única coisa que não conseguiram fazer é parar de comer. Quer dizer: tinham o mesmo comportamento de um gordo, pois estavam sobrealimentados. A Distância da comida tinha se reduzido, graça a um aumento na frequência do consumo.". Sendo assim, o distanciamento da comida é um comportamento inerente aos magros. São magros porque se distanciam da comida. Não se cercam de comida o tempo todo. Se os magros estivessem cercados de comida a todo instante, também comeriam demais. O segredo deles é o distanciamento. Eles se afastam. Se permitem se afastar.  

"Portanto é aconselhável que o contato que temos com a comida não supere a quatro vezes por dia, se for menor, melhor. Também teríamos de nos livrar da ideia de que um tratamento eficaz é aquele que inclui comidas light, porque, na verdade, comer light é comer pouco, comer de forma saudável é comer pouca quantidade e poucas vezes ao dia."

E isso da comida light é algo que concordo profundamente. Muitas vezes usamos a desculpa do light para comer mais, quando temos que exercitar justamente o contrário. Precisamos mesmo é aprender a comer menos. Comer um pouco de tudo, mas menos.

E para o autor, algumas dietas não produzem o distanciamento necessário. "Tanto as dietas que aconselham varias refeições diárias, como as que propões um ingestão de calorias superior à necessária para não despertar os mecanismos aditivos, produzem uma redução da Distância da comida. Assim, vai se formando uma espiral que cada vez nos aproxima mais da comida, com o consequente abandono da dieta e a obtenção de resultados medíocres. "

E o distanciamento da comida  "produz também uma Distância  biológica do desejo de comer, por um lado, e da fome por outro, uma vez que a diminuição do apetite permite a sensação da saciedade e leva a pessoa a não ficar tão desesperada e atenta à comida."

Esse distanciamento, além de constante deve ser reiterado sempre que necessário. É preciso ficar atento, para que sempre que a distancia diminuir, o afastamento seja refeito. "Outros comportamentos que caracterizam o magro são os seguintes: come pouco durante a semana; às vezes, só de noite. No fim de semana, há um aumento paulatino da quantidade ingerida e, quando chega segunda, é difícil cortar. no entanto, o magro consegue porque interiorizou o hábito de não comer tanto. Portanto, ele tem um hábito que não é uma necessidade. Já o gordo sente, em algum momento, a necessidade de continuar comento, talvez porque o corpo ordene, exija. Além do mais, existe o hábito que relembra a sensação prazerosa que sente ao comer. Então, ele emagrece de segunda a sexta e engorda de sexta a segunda; cuida-se das 8hs às 19hs e engorda das 19hs à meia-noite. E adia sempre: até segunda, até o mês que vem."

E "se estamos falando de gerar Distância, é porque existe no gordo uma relação com a comida muito arraigada, recorrente, sem foco. É muito difícil moldar alguém que está descontrolado, que passou dos limites, pois essa pessoa não tem noção da medida. Só diante de pouca comida é que o gordo esquece o querer mais." Ou seja, o corte, a medida e a distância andam juntos.

E "quem incorpora a Distância à sua vida, entra em um estado de calma e tranquilidade repentina que se aproxima mais da nossa verdadeira natureza, que é moderada, silenciosa e saudável. (...) Quando implementamos o Corte, a Medida e a Distância, nossa vida se ordena"


Com Corte se reconhece o mal-estar
Com Medida há equilíbrio e sobriedade
Com Distância se alcança a objetividade e a lucidez

O  Corte é com: 
O passado
O excesso
Os preconceitos
Os mitos
O "não consigo"
A descrença
A desconfiança
A comodidade
A preguiça
A onipotência
O autoengano
A dependência

A Medida está:
Na porção 
No tamanho (da roupa)
No comportamento
Nas emoções
No pensamento

A Distância é:
Da comida
Entre comidas
Da história pessoal
Do abismo
Do beliscar
Da Minimização
Das más relações

O Corte é necessário quando:
A Medida aumenta 
A Distância diminui
Os pensamentos se tornam obsessivos
As queixas aumentam


"Só após a aplicação do Corte, Medida e Distância, a comida  passa a ocupar o lugar que lhe corresponde e deixa de preencher espaços que não lhes competem, pois a constante nos que comem em excesso é não saber o que fazer com o seu tempo livre, então, mastigar sem parar." E por isso que o distanciamento é importante, se não tem o que fazer e tem comida perto, a pessoa come sem parar. É preciso se distanciar da comida e aprender a ocupar a mente e o tempo.

"No entanto, também e importante frisar que as aprendizagens da vida não são mágicas, fáceis, nem rápidas. É preciso ter paciência, tranquilidade e calma para poder enfrentar os obstáculos que se interpõem em todo o processo de recuperação. Uma recuperação na qual o emagrecimento é um elemento a mais, já que o objetivo principal é melhorar substancialmente a qualidade de vida. O emagrecimento é, antes de tudo, o efeito da recuperação da adição. E a gordura é o sintoma de seu sofrimento. Não se trata de estar magro ou gordo, mas de estabelecer novos vínculos com as substancias e com as pessoas, começando por nós mesmos. "

O objetivo é:
-Dizer não mesmo que a vontade seja grande
-É preciso diminuir as poções e pensar que está comendo o adequado 
-Temos que perder peso rapidamente, pois nosso corpo se prejudica
- É mais fácil emagrecer que esconder a dor provocada pelo descontrole"
- Ficar magro e não menos gordo

4 comentários:

  1. Vou aproveitar esses dias de folga para ler esses posts resenha.
    Estou gostando de saber mais sobre "Nutrição". É um universo tão rico!
    Uma bela terça-feira!

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    Respostas
    1. Simmmmm
      Na vida, informação é tudo. Quanto mais a gente souber, mais chances temos de fazer dar certo.
      Bjsjbsjbs

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  2. Acho que cortes abruptos de vez em quando acordam o organismo, mas não concordo que a perda tem que ser muito rápida... Levei dois anos para perder 20 Kg. Poderia ser em um tempo menor, mas a constância na perda foi igualmente importante!

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    Respostas
    1. Exatamente o que penso. É por isso que resisti tanto em terminar de fazer a resenha do livro, comecei a não concordar com muita coisa. Mas eu tenho que terminar, tenho que começar a terminar o que eu começo....

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