quinta-feira, 22 de junho de 2017

PAI

Eu sumi por mais de 1 ano simplesmente porque não queria escrever a postagem que escrevo agora. Mas não dá mais pra adiar. Podem dizer que é fuga, e talvez seja, mas tem brigas que não dá pra enfrentar. Jamais serão vencidas e, talvez, fugir seja a coisa mais sensata e corajosa a se fazer. 

No final de fevereiro de 2016 fui ao ES ser madrinha de casamento de uma amiga e para uma festa da família. Com isso passeio o fim de semana com toda minha família (e sou imensamente agradecida à Deus por ter me proporcionado isso). Voltei pra Porto Alegre na segunda-feira (29 de fevereiro).

Na sexta feira da mesma semana (4 de março) voltei ao ES porque meu pai tinha falecido. 


Eu e meu pai tínhamos muitas diferenças, claro,  ele odiava quando eu emagrecia. Dizia que eu ficava com cara de doente. A gente já brigou tanto nessa vida, por tantos motivos diferentes. Mas a gente era muito parceiro. Se amava muito. Eu entendia ele e ele me entendia. Acho que de toda família era eu quem mais o compreendia e de toda família era ele quem mais me compreendia. 


A gente tinha liberdade de falar tudo um pro outro. A gente se dava tanto carinho. Tanto amor. Vivíamos grudados. E eu também sou muito agradecida por isso. Óbvio que rola arrependimento de muitas coisas que poderiam ter sido feitas de um modo diferente. Mas eu sei que aproveitei muito o meu pai. E sei que muitos não tem essa oportunidade. Meu irmão mesmo não teve essa oportunidade, não desse jeito que tive. Os dois muito teimosos.....e eu sinto tanto por eles. Queria que meu irmão tivesse o que eu tive. Mas isso não ofusca minha gratidão. Sou imensamente agradecida por ter amado, compreendido e aproveitado meu pai. 


E éramos tão próximos, sempre fomos, que ainda o sinto porto de mim. Ainda escuto ele falando comigo dentro do meu coração. Mas a saudade dói. E a parte mais difícil dessa saudade é não ter mais o abraço dele. Ai, como eu tenho saudade daquele abraço....


Então eu fui pro ES. Cheguei lá e vi a minha família em prantos. E naquele momento tive que tomar a minha decisão. E decidi ser forte por eles.  E fui.....passei todo 2016 entre Porto Alegre e o ES, tentando ajudar no que eu podia. Tentei fortalecer todo mundo e decidi que o meu luto poderia esperar.


Olhando pra trás, acho que nunca tive meu luto. Mas isso pra mim não é um problema. Quero dizer, tenho muito pelo que agradecer. Por ter tido ele como pai, por ter podido aproveitar ele o tanto que pude, por ter passado o último fim de semana da vida dele com ele....e a minha certeza religiosa de que um dia nos reencontraremos me faz realmente acreditar que não é um motivo de profunda tristeza. É só um "até logo". Mas o problema real, a coisa com a qual eu não consigo lidar, é a falta que o abraço dele me faz. Essa é a parte difícil de todo processo. 


Então.....dizem que quando passamos por uma dor insuportavelmente grande passamos a encarar a vida de uma nova forma. E posso dizer que acho que foi o que aconteceu. Busquei viver meu luto de um jeito todo meu: parti em busca de uma crescimento espiritual, de uma felicidade constante e de uma paz interior. Por um lado isso me faz me sentir mais perto dele. Bom, se ele passou para o plano espiritual, vamos lá conhecer mais isso, estar mais perto disso.....pra mim é algo que faz sentido.  E por outro lado, no momento em que perdi meu pai e me culpei por viver longe da minha família, eu entendi que não importa onde e como vivemos, só há um jeito de homenagearmos nossa família e a memória daqueles que amamos: SER PROFUNDAMENTE FELIZES.  Então eu busquei e busco essa felicidade. Fui atrás dela como uma leoa faminta parte em busca da presa: com toda calma, estratégia e empenho. 


E num dado momento de toda essa busca, tive que fazer as pazes com meu corpo. Eu ainda controlo a alimentação e malho frequentemente. Mas não faz nenhum sentido eu odiar a imagem do espelho. Ou eu me recriminar por não entrar numa calça tamanho 40. Não faz nenhum sentido. Não mais. Meu senso de beleza e felicidade foram ampliados e o resultado disso (contarei em breve) foi surpreendente. Eu ainda quero falar - e falarei - de dieta e atividade física. Mas também quero falar do que descobri -  e ainda estou descobrindo - nessa minha busca constante pela felicidade. 


Eu, Fernanda, descobri aos 35 anos (e precisei "perder" meu pai para isso) que o que realmente importa nessa vida é ser feliz. E que a felicidade não depende de nada, não depende de um numero na balança, não depende de um bem material, não depende de uma outra pessoa. Para ser feliz você só precisa de uma coisa: ser!


E não acredite em mim. Por favor. Duvide. Pode duvidar. Mas também não acredite em tudo o que te disseram até agora. Parta você em sua própria jornada em busca da felicidade. Pode ser que as histórias e casos sobre a minha jornada te ajude na sua. Pode ser que não. Mas faça um favor a si mesma(o), não aceite passar mais nenhum dia triste e se achando feia por não pertencer a um padrão que alguém te disse que era o certo. Pode ser que depois de uma longa jornada você descubra que aquele velho padrão é o seu mesmo. Pode ser. Mas tenha coragem e parta em busca dessas respostas. E não aceite uma vida que não te faça feliz. 


E eu não estou dizendo para não fazer mais dieta. Não é isso. O que estou dizendo é: seja feliz fazendo dieta. Não espere estar magra para ser feliz. Seja feliz desde já e a magreza vai querer vir correndo aproveitar essa sua nova vida de felicidade.


E aproveite seu pai. Aproveite sua mãe. Aproveite todos que você ama. Eles não durarão pra sempre. Eles não estão sempre certos, nem tudo o que eles dizem realmente são coisas que realmente valem pra você. Mas eles estão tentando fazer o melhor com o que eles tem. Estão tentando te passar o que eles acham que realmente é válido, e por mais que não concorde com algumas coisas, respeite isso. Porque isso é amor. 


Naquela segunda-feira, última segunda-feira, que ele me levou no aeroporto, enquanto nos despíamos, nos abraçávamos e fazíamos planos para os próximos encontros (sem saber que eles não existiriam)....se eu soubesse que seria nosso último abraço, se eu soubesse que jamais o veria em vida novamente (para algumas crenças não nessa vida) acho que eu não o teria soltado. Eu não teria soltado nunca mais. 


Mas isso é a vida. Fazemos escolhas o tempo todo sem saber bem como será o dia de amanhã. Saímos de casa sem saber se vamos voltar, dormimos sem saber se vamos acordar, nos despedimos de quem amamos sem saber se voltaremos a vê-los. E isso é tão cotidiano que se torna corriqueiro. Mas não permita isso. Não permita que a rotina retire da vida a graça que ela tem. E essa graça que ela tem....já fique sabendo...é você quem dá.

4 comentários:

  1. É o que levamos da vida são os momentos que vivemos, por isso não devemos desperdiçá-la com bobeiras, sinto muito pelo seu pai, mas essa é única certeza que temos na vida, só não sabemos quando irá acontecer, bjs

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  2. Sinto muito pela perda do seu pai, infelizmente não sabemos quando tudo irá acontecer, perdi minha avó faz pouco tempo e tive o prazer de passar o ultimo dia com ela, ultimo almoço, risadas e sou grata por estes momentos. O conforto só vem com o tempo, a saudade fica mas temos a certeza que um dia estaremos todos juntos. Beijo !!!

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    1. Obrigada Nanda.....essa gratidão por ter aproveitado os últimos momentos ajuda no processo. O torna mais leve.
      bjks

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